Marinha ergue muro e deixa quilombolas sem água

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Comunidade quilombola do Rio dos Macacos na Bahia, na cidade de Simões Filho, tem seu acesso à água impedido por um muro construído pela Marinha. Aproximadamente, 85 famílias moram na região, que fica próxima à cidade de Salvador.

A força armada alega que administra a área desde a desapropriação, em 1950, e considera o local estratégico para a defesa nacional. Assim, a posse sobre a terra onde fica o quilombo é alvo de disputas judiciais e conflito há muito tempo. Porém, a situação piorou depois que a Marinha decidiu expandir e ampliar as suas instalações, em 2010. O local abriga a Base Naval de Aratu e a Vila Militar de Barragem e, recentemente, a Marinha começou a construir um muro para impedir o acesso à área que, pretensiosamente, ela considera lhe pertencer.

Ainda em 2012, um relatório foi produzido pelo Governo da Bahia atestando que a região é remanescente da ocupação de escravos. Lideranças comunitárias denunciam que, desde então, a Marinha usa de intimidação e coação contra os moradores da área, mesmo as crianças a caminho da escola são alvo de revistas com armas pesadas.

No mesmo ano, 2012, os quilombolas ocuparam a sede do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Salvador para evitar ações de integração de posse e forçar a negociação. Nesse meio tempo, várias ações de integração de posse propostas pelas Forças Armadas foram aceitas pela justiça e por pouco não aconteceram.

Intervenções de órgãos do Governo Federal, como a AGU (Advocacia Geral da União), evitaram que o pior acontecesse com os quilombolas antes do golpe. Em nota à imprensa, publicada no site de notícias UOL, Cláudio Rodrigues, que trabalha como Coordenador de Políticas para os Povos e Comunidades Tradicionais na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia, admitiu que a Secretaria da Presidência da República estaria empenhada em garantir a terra à comunidade, “até a mudança no comando do governo federal”, por meio do golpe de Estado.

É claro que a comunidade já sofria muito antes do golpe, com a disputa pelo território e sem acesso à água encanada ou luz elétrica. Porém, após o golpe da direita a política do Estado passa a ser mais dura e restritiva para todas as comunidades tradicionais no Brasil. Nesse contexto, surge o muro da Marinha que pode matar de sede as 85 famílias.

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