Não ao golpe da Comissão de Conciliação Voluntária no Banco do Brasil

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A direção do Banco do Brasil quer dar mais um golpe em milhares de trabalhadores ao implantar a CCV (Comissão de Conciliação Voluntária) com a migração para funções de 8 horas para 6 horas e eliminar um passivo trabalhista devido ao descumprimento em relação à jornada de trabalho dos bancários de 30 horas semanais

 

Após colocar em prática parte do plano do governo golpista de enxugamento do Banco do Brasil que colocou no olho da rua 9.409 trabalhadores, que tem como metas a eliminação de 18 mil postos de trabalho, o fechamento de 402 agências e a transformação de outras 379 em postos de atendimento, a direção do Banco quer a implantação da CCV para milhares de bancários.

O objetivo da CVV é facilitar mais um ataque contra os bancários que ocupavam cargos com carga horária de 8h e, no recente processo de reestruturação, passaram a adotar o horário de 6h, com a indevida redução de salários.

Para esses funcionários o Banco do Brasil vinha descumprindo, há mais de 10 anos, as leis trabalhistas (CLT) em relação à jornada de trabalho dos bancários de 30 horas semanais, o que gerou um imenso passivo trabalhista, ou seja, os trabalhadores ficaram credores do banco, tendo direito a receber com adicional de hora-extra as horas trabalhadas a mais e outras vantagens incidentes nos salários, férias etc.

A situação dos bancários no interior dos bancos justifica plenamente a redução da jornada de trabalho da categoria que sofre com a política dos banqueiros para garantir a farra destes parasitas capitalistas que expropriam a população e os bancários. Pesquisa realizada na categoria aponta uma média de um suicídio de bancário a cada 20 dias, além disso, os bancários estão submetidos a doenças ocasionadas pelo trabalho, tendo consequências stress nervoso, tensão ou preocupação excessiva, perda do sono, cansaço, dor de cabeça constante, sensações desagradáveis no estômago, má digestão. Nestas condições, 32% dos pedidos de licença dos bancários é resultado das doenças como Ler/Dort e 23% da categoria apresenta transtornos mentais.

A CCV é o instrumento que a direção do banco quer utilizar para que os trabalhadores abram mão dos seus direitos a receber as horas trabalhadas e não pagas. O banco na conciliação não é obrigado a divulgar nenhum valor referente ao que é devido. Tal política não se trata de uma livre negociação, pelo contrário. Os trabalhadores serão levados à estas CVV sobre intensa pressão pois milhares deles sofreram ou estão amaçados de represálias por entrarem na justiça contra o banco para receberem a 7ª e 8ª horas que não lhes foi paga.

O banco intimida o trabalhador que estará do outro lado da mesa, mesmo com a intermediação do sindicato, a aceitar a migalha oferecida pelo patrão, que geralmente não passa de 10% do valor devido e, se aprovado a adesão ao CCV, o funcionário fica obrigado a assinar um temo abrindo mão do direito de receber integralmente os valores devido pelo banco das horas trabalhadas e não pagas independente da fase em que se encontrem os processos.

A CCV visa, portanto, por fim a um gigantesco passivo trabalhista com os seus funcionários e é parte da operação de ataques aos bancos públicos visando aumentar a pressão pela privatização do BB.

Para que a CCV venha a funcionar deverá ser submetida a aprovação dos trabalhadores através de assembleias de cada base sindical.

É preciso denunciar o golpe das CVV, rejeitar a sua criação aonde ainda não existem e  exigir a sua extinção onde foram criadas e estão causando prejuízos aos trabalhadores.

Os bancários do BB não devem aceitar mais esse ataque dos patrões aos seus direitos não aceitando a adoção da CCV e lutar contra o plano de funções que rebaixa salários e descomissiona trabalhadores.

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