A frente única da direita pró-imperialista com a esquerda pequeno-burguesa no Rio de Janeiro

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A situação financeira do Estado do Rio de Janeiro só piora. Servidores de diversas áreas estão recebendo salários de meses anteriores parceladamente e benefícios sociais, como o aluguel social e restaurante popular, estão sendo cortados. Diante dessa situação caótica, seria obrigação da esquerda apresentar saídas para a classe operária e os explorados, em geral.

No entanto, temos visto exatamente o oposto, isto é, é justamente da esquerda, em particular, da esquerda pequeno-burguesa, de onde vem uma boa parte da confusão que predomina nas massas. O PSOL e seu “ilustre” representante na ALERJ, o oportunista Marcelo Freixo, vêm insistindo na tese de que a causa dos males do RJ se chama PMDB.

De acordo com essa análise, bastaria retirar o PMDB (e colocar o PSOL?) da administração do Estado burguês para que tudo se resolva. Essa visão coincide totalmente com os cínicos pontos de vista dos analistas burgueses que, diante da necessidade de remover um governo que não atende integralmente seus interesses, argumentam que a causa de problemas econômicos e políticos é a gestão do atual partido no poder.

Ao dizer que o problema é só o PMDB, Freixo e o PSOL fazem frente com a direita pró-imperialista que está numa disputa com o PMDB no Rio de Janeiro. Essa aliança não é de agora e já havia sido apresentada ao mundo na eleições municipais, quando o candidato do PSOL foi apoiado pela rede Globo e todos os representantes da ala principal da direita golpista e pró-imperialista.

Em primeiro lugar, deveríamos dizer que a causa do que está ocorrendo no RJ não é paroquial, ou seja, não é um problema do RJ, mas sim um problema com raízes muito mais profundas (o golpe de Estado que está em fase de consolidação). Portanto, em primeiro lugar, deveríamos ter em mente que o problema é o golpe de Estado perpetrado contra a classe trabalhadora (sim, porque o PT foi removido do poder, mas quem arca com o ônus do golpe é o trabalhador ).

A crise do RJ é uma espécie de réplica da crise que está ocorrendo não só no Brasil, mas no mundo todo, fruto da desagregação total do modo de produção capitalista. Em segunda lugar, os trabalhadores devem ter em mente que toda a “luta” apenas por dentro das instituições é inútil, visto que a direita, particularmente a direita pro-imperialista, controla as instituições. Alimentar ilusões na via eleitoral ou canalizar o justo ódio das massas para o campo parlamentar é tornar essa luta inócua. Essa é mais uma demonstração do que Marx chamava de “cretinismo parlamentar”.

A política correta é a que foi sugerida pelo PCO em nota emitida recentemente, a qual reproduzimos abaixo:

O Partido da Causa Operária conclama as organizações de luta do povo do Rio de Janeiro a se reunirem em Assembleias Operárias e Populares, na forma por elas acordadas, para aprovar um programa próprio dos explorados que tenha como eixo a luta contra o golpe que avança em todo o País e mais acentuadamente – neste momento – no Rio de Janeiro.

Contra a perspectiva da direita de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise e pela falência do Estado, defender a expropriação de setores fundamentais da burguesia; contra a política de privatização e destruição dos serviços públicos, estatização dos serviços essenciais como Saúde, Educação, Transportes etc.

Um programa que se levante contra a política de repressão e massacre do povo do Rio, representada pelas UPP’s e pelo sistemático extermínio promovido pela PM e todo o aparato repressivo. Contra a ilusória perspectiva de “saídas” eleitorais apoiadas pela burguesia, defender a luta por um governo próprio dos explorados e de suas organizações de luta no Rio de Janeiro.

Portanto, contra a direita inimiga do povo e a esquerda pequeno-burguesa, que opera como uma espécie de assistente da direita e por isso mesmo também deve ser vista como inimiga das massas, devemos nos organizar para a luta contra o golpe e seus reflexos regionais e locais, como estamos vendo no RJ.

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