O Kerenski vitorioso da Revolução Portuguesa

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O antigo primeiro-ministro e presidente de Portugal, que encontrava-se em estado de coma desde o mês passado, em Portugal, faleceu nesse sábado, dia 7 de janeiro.

Mário Soares foi um político cujo retrato se assemelha ao de tantos outros que souberam transformar uma revolução em uma farsa.

Como cofundador do Partido Socialista, teve de viver no exílio em São Tomé durante a ditadura de Salazar. Durante a presidência de Marcello Caetano, último presidente do Conselho do Estado Novo, Mário Soares recebeu permissão para exilar-se na França, onde permaneceu até que a Revolução dos Cravos, em 1974, e o subsequente período de transição para a democracia permitiu-lhe voltar a Portugal. E voltou como democrata. Soares foi por três vezes primeiro-ministro de Portugal, e presidente da república, por dois mandatos (1986-1996).

A volta de Sores a Portugal em 28 de abril de 1974 ficou conhecida como comboio da liberdade. Dois dias depois, recebeu Álvaro Cunhal que voltava do exílio. Levou o Partido Socialista à vitória nas eleições legislativas de 1975 e militou para a independência das colônias portuguesas da África (uma concessão ao imperialismo norte-americano).

O papel que Mário Soares representou no desenvolvimento da política portuguesa posterior ao salazarismo assemelha-se muito a todas as políticas adotadas ao final de ditaduras. Com a ideia de restaurar a democracia, vieram as concessões ao imperialismo. Foi o que aconteceu com a África do Sul de Mandela, com o Brasil de Sarney, com a Argentina de Alfonsin etc.

Todos os movimentos revolucionários foram sufocados pelo imperialismo, que, de patrocinadores de ditaduras, passaram a utilizar a máscara da democracia para transformar aquelas revoluções em uma forma nova de opressão.

É nesse mesmo contexto que vemos a libertação das colônias portuguesas, as quais deixaram de ser subalternas de Portugal para se tornarem livres para a opressão de países mais poderosos. Apesar do avanço em termos de liberdade civil que a independência e o fim das ditaduras representaram, a forma de opressão não se desfez. Não se desfez nas colônias, não se desfez em Portugal.

Portugal encontra-se, hoje, em situação lamentável. Totalmente subalterno às exigências dos bancos alemães e à ditadura do Euro, o país está sendo, na prática, evacuado, como se fosse um território em guerra. E como a Síria e o Iraque, é um país em transumância.

E esse processo todo foi iniciado por Mário Soares, que, em vez de conduzir seu país na linha da Revolução, procurou a via das concessões democráticas. E deu no que deu.

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