O movimento operário precisa aprender das grandes derrotas de 2016

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Com redução no poder de compra, aumento do desemprego e sob o maior ataque contra seus direitos de todos os tempos, a classe trabalhadora foi posta em uma situação defensiva que precisa ser superada por meio de uma ampla campanha de esclarecimento, da sua mobilização e da sua organização independente do golpismo para derrotar o golpe e lutar por uma alternativa dos explorados diante da crise

O ano de 2016 ficará marcado na história da classe trabalhadora brasileira como aquele em que sofreu algumas de suas maiores derrotas.

Submetidos a uma grave situação de crise econômica e política impulsionada diretamente pelo imperialismo e pelos seus agentes golpistas no País, os trabalhadores estão vendo cessar um período de mais de uma década de pequeno crescimento da média salarial, com o achatamento de seus salários que, na maioria das categorias, não alcançou sequer a reposição de suas perdas salariais no ano passado. Já no fim de 2016, milhares de trabalhadores foram traídos por sindicalistas que aceitarem acordos que impõem até mesmo perdas e reduções salariais.

No serviço público, milhões de trabalhadores ficaram ou permaneceram com seus salários “congelados” (sem qualquer reajuste), tiveram seus vencimentos parcelados e atrasos de até meses, o que faz com dezenas de milharas de servidores – como no caso do Rio de Janeiro – chegassem ao final do ano sem nem mesmo saberem quando receberão os salários em atraso.

Em centenas de prefeituras e governos estaduais, impôs-se (ou se discute) um aumento dos descontos previdenciários, o que – de fato – representa uma redução salarial.

O desemprego atingiu os mais altos índices em mais de 10 anos, alcançando bem mais do que os 12 milhões anunciados pelo IBGE, sob a direção dos golpistas, nos quais não se incluem os milhões de trabalhadores que “desistiram” de procurar emprego e os jovens que não conseguem ingressar no mercado de trabalho.

Mais grave, no entanto, é que esta situação se encaminha para um acentuado agravamento, como demonstra a queda nas vendas natalinas (3% em relação a 2015) e, principalmente, as medidas adotadas pelo governo golpista no sentido de impor o maior ataque contra as condições de vida da classe trabalhadora de todos os tempos.

 

O pior está por vir

 

O ano de 2017, começa sob o império da “lei do teto” (PEC 55), que estabelece uma redução dos gastos públicos, disfarçada de “congelamento” (com reajuste limitado ao aumento da inflação do an anterior), que o governo golpista pretende usar como ponto de apoio para impor brutais ataques a investimentos públicos que vinham crescendo em áreas fundamentais como Saúde, Educação, Moradias Saneamento etc etc. O que além dos notórios prejuízos às condições de vida da maioria da população, já está levando à um brutal queda do emprego, em setores essenciais como a construção civil, comércio, indústria naval etc.

A “reforma da Previdência”, em tramitação no Congresso, além do efeito imediato de condenar os trabalhadores com mais de 45 anos com um “multa” de 50% de acréscimo no tempo de trabalho que seria necessários para sua aposentadoria em 2016, fazendo com que um trabalhador que teria que trabalhar por mais 10 anos, tenha que continuar na ativa (se conseguir) por mais 5 anos, aponta no sentido da liquidação real das aposentadorias. Isso ao estabelecer a necessidade de um mínimo de 49 anos de contribuição e uma idade mínima de 65 anos para conquistar a aposentadoria, o que vai levar a que os trabalhadores se aposentem em média após os 74 anos, se mantidas as condições atuais (que eles buscam piorar) nas quais o trabalhador se aposenta em média 5 anos após o prazo mínimo estabelecido.

Tem mais, bem pior e com efeitos quase imediatos. A “reforma trabalhista” que o governo quer impor, com o apoio do congresso reacionário, manipulado pela imprensa golpista e assediado pelos demais patrocinadores do golpe, visa estabelecer o fim da legislação trabalhista (CLT), com décadas de conquistas dos trabalhadores, fazendo com que a situação retroceda nos próximos anos à condições semelhantes à do século XIX, com jornadas de trabalho de até 12 horas diárias, fim paulatino das férias e 13° salário, contratos temporários de até oito meses etc. etc.

 

Defensiva

 

Esta situação esta sendo imposta em uma situação de profunda defensiva imposta à classe operária pelo retrocesso econômico, que gera o temor do desemprego (um dos piores males para a classe trabalhadora) e pelo retrocesso político, provocado pelas derrotas sofridas pelas  principais organizações políticas e sindicais que ocupam o lugar de representantes dos seus interesses no último período.

No último ano, a classe operária e todos os explorados assistiram e sofreram com o maior ataque contra os partidos de esquerda (em primeiro lugar, o PT) e seus dirigentes, incluindo ex-sindicallistas, que prenunciam um ataque ainda maior contra os sindicatos e com a ameaça da prisão da maior liderança do movimento de luta dos trabalhadores das últimas décadas, o ex-presidente Lula (o que é inegável, independente das posições profundamente divergentes que possamos ter em relação à sua orientação política e atos praticados em favor dos grandes capitalistas).

 

Lições fundamentais

 

Ainda sob a orientação da política dominante no movimento operário, os trabalhadores sofreram duas importantes derrotas políticas no ano que passou. Primeiro, a vitoria do golpe, com a destituição da presidenta Dilma Roussef (PT), eleita pela maioria do povo brasileiro, substituída por um marionete dos agentes do imperialismo que não teve um único voto popular para assumir a presidência da República.

A derrota foi facilitada pela ilusão, declarada e assumida por muitos dirigentes – como Lula – de que a aliança com setores da burguesia (beneficiados por medidas capitalistas dos governos da frente popular) iria “salvar a pele” de Dilma e do governo, o que levou a uma ampla vacilação e demora em se posicionar  contra golpe e se mobilizar nas ruas diretamente contra ele e, depois, em uma ilusão de que setores da direita, antigos “aliados” seriam convencidos por argumentos e não se submeteriam à intensa pressão política, econômica, publicitária etc, a favor do golpe.

A ilusão democrática dessa “esquerda” levou ainda à que a mesma “mergulhasse de cabeça” na crença, sem fundamentos na realidade, de que seria possível vencer direita no jogo de cartas marcadas das eleições golpistas, totalmente controlados por pilares do golpe de Estado, como a imprensa burguesa e a justiça.

 

Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima

 

O tamanho do ataque corresponde não só ao voraz apetite dos grandes monopólios capitalistas que desejam e precisam expropriar ainda mais a classe trabalhadora e dilapidar a economia nacional para tentar manter seus lucros em uma etapa de crise histórica que caminha para um novo e maior colapso capitalista, mas também diz respeito ao tamanho e à força colossal da classe operária brasileira, uma das mais importantes do mundo.

“Ninguém chuta cachorro morto”, diz o ditado popular. A brutal ofensiva, a compra de amplas parcelas do sindicalismo pelego para poiar suas posições reacionárias, a pesada campanha a favor dos ataques por parte da imprensa golpista e, principalmente, as medidas de cassação dos direitos democráticos de todo o povo para tentar impedir a reação operária e popular, mostram o medo – devido – que a burguesia nacional e imperialista têm da reação da classe operária.

A tarefa, portanto, é colocar em movimento esse gigante. O setor mais combativo e poderoso do proletariado brasileiro, a classe operária, principalmente das fábricas e grandes concentrações produtivas (como os petroleiros, entre outros).

É preciso dissipar as confusões e superar as ilusões democráticas presentes na atual etapa. Denunciando e mostrando claramente o caráter reacionário das medidas, principalmente, do próprio regime político que as impõe.

Combater a ilusão de que é possível derrotar as medidas dos golpistas por meio de lutas isoladas contra cada uma delas. Mostrando que mais do que nunca é preciso uma luta geral, unificada, como os métodos próprios da classe operária, como a greve geral para barrar a ofensiva  atual. Que esta luta tem que estar dirigida contra todo o regime golpista, e não apenas contra um dos seus elementos (Temer). Que da mesma forma que a direita precisou derrubar o governo eleito (e pode até mesmo ter que derrubar o governo Temer), a classe operária e todos explorados precisam impor uma derrota de conjunto ao golpe, anulando o impeachment como ponto de partida para dar lugar a uma ofensiva contra a direita, cancelando todas as sua medidas e lutando para impor suas reivindicações diante da crise.

Para avançar nesta perspectiva independente da burguesia e dos seus planos de forme e miséria, começar o ano, trabalhando duramente pela organização própria dos trabalhadores e da juventude, nos seus locais de trabalho, estudo e moradia. Construindo milhares de comitês de luta pela derrota do golpe, contra a prisão de Lula e pela anulação do impechment.

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