Dória se veste de gari para varrer a sujeira para debaixo do tapete

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João Dória, o prefeito de São Paulo, em sua campanha populista, ao limpar a av. Nove de Julho tem como obstáculo moradores de rua

O prefeito João Dória conclama os jornalistas e fotógrafos da imprensa burguesa para acompanhar a limpeza de parte do centro de São Paulo. Limpam-se bueiros, apagam-se pichações, colocam-se lixeiras. Mas, no caminho, o inconveniente: pessoas.

Parte dos moradores de rua, que não podiam, de forma nenhuma, aparecer nas fotos, foram realocados para centros de moradias ou colocados debaixo de um viaduto cercado de grades. A imprensa, em vez de tratar esse galinheiro como campo de concentração, disse tratar-se de um campo de futebol.

A operação desencadeada pelo prefeito tem o nome de “Operação Cidade Linda”, herança de Kassab. Mas devia chamar-se operação maquiagem. Diz o prefeito que é para a cidade recuperar a “sua autoestima”. Mas “autoestima” é tudo o que seu partido, o PSDB, não quer que brasileiro algum tenha. E a instalação das novas lixeiras diz tudo: operação Vira-latas.

O que o prefeito pretende fazer é tornar a cidade visualmente mais aceitável para aqueles que percorrem, de carro, as suas ruas. É um projeto de propaganda com o propósito único de agradar a classe média, tida como formadora de opiniões. Mas, para isso, não se considera a condição das pessoas pobres, aquelas que vivem nas ruas porque precisam de moradias. E vivem nas ruas porque precisam, também, de emprego.

Mas cidade limpa significa cidade sem pobres. Antes de varrer as ruas é preciso varrer os pobres do caminho. Dória, por exemplo, já assinala que fará um governo de perseguição aos comerciantes de rua. E a própria campanha do PSDB de revitalização do centro, iniciada pelo famigerado Mário Covas, tinha como objetivo expulsar os pobres e indigentes do centro da cidade. O propósito era transferi-los para a periferia, onde não há emprego. O que significa o mesmo do que os transferir para o crime.

Era uma política baseada no que fez o prefeito da cidade de Nova York, Rudolph Giuliani, e que estava sendo feito nas grandes cidades dos países imperialistas na década de 1990. Era uma campanha de valorização do espaço urbano, que procurava aumentar o valor dos imóveis nos centros urbanos. Em Nova York deu certo, bem como em Londres. Fracassou em Paris. E, em São Paulo, faltou verba e fez com que os viciados em craque que moravam nas ruas da zona conhecida como Cracolândia se realocassem para outras zonas do centro da cidade.

O grande problema dessas campanhas é que elas não consideram um elemento fundamental, o cidadão. Sabemos que criaturas como Dória e Kassab não consideram pessoas de baixa renda como cidadãos. Imaginem um pobre vestindo Ralph Loren!

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