A relatividade da “crise humanitária”

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Desde a tomada de Alepo pelo governo sírio, a imprensa imperialista tem ventilado supostas preocupações com “direitos humanos”, com uma suposta crise humanitária que estaria acontecendo na cidade síria. Hipocrisia melhor descreve o sentimento propagandeado pelos grandes jornais e redes de televisão do mundo, pois a “crise humanitária” síria tem sua origem na intervenção imperialista no oriente médio, se existe uma crise destas na Síria foram os bombardeios norte-americanos e europeus que a causaram, se existe um “problema” do Estado Islâmico, EI, existe porque a desagregação social no Oriente Médio ultrapassou os limites do humanamente aguentável.

Ainda mais curioso é ver um lamento de algumas vítimas de atentado, e outras não.

Em Nice, na França, houve um atentado que matou 86 pessoas, a imprensa fez agitação contra os islâmicos nas semanas subsequentes, uma campanha que serviu de base para o governo da França aumentar os bombardeios no Oriente médio, e de maneira extremamente oportunista, colocar o país em estado de sítio.

No final do ano passado, houve um atentado em Berlin, 16 mortos e 56 feridos, já não houve comoção, não houve conversa de crise com os islâmicos, um desavisado poderia falar que foi o número de mortos que não foi tão dramático, mas o número já é maior do que foi o atentado à revista Charlie Hebdo, que levou o Presidente Francês à frente de uma manifestação e a origem da campanha “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie) que chegou a todo o mundo.

Todos esses atentados juntos não superam a perda humana e material causada pelos bombardeios, pela invasão do Iraque e Afeganistão, nem chegam a se comparar. É mais do que correto colocar que os ataque terroristas na Europa e nos EUA tem apenas um culpado: A ação destruidora dos governos desses países no Oriente médio.

Para colocar em termos objetivos, nem um pouco “relativos”, existe uma crise humanitária no Oriente Médio, causada pela intervenção militar e política do imperialismo.

Como vemos gritar crise humanitária em Alepo, por conta da derrota do imperialismo, mas não gritar em Berlin, nem todos os dias enquanto os EUA continuarem com sua presença devastadora na região é maior das hipocrisias.

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