Resultado do encarceramento em massa: 60 mortos em um dia, em Manaus

Compartilhar:

A política de encarceramento em massa é uma típica medida da burguesia golpista. Para ela, antes mesmo de tomar de assalto o governo federal, o pobre, trabalhador, o negro precisa ser contido, perseguido e preso, independente da existência de crime, das provas do processo, da realidade dos fatos.

Essa política é que deixou o Brasil na quarta posição no mundo no número de presidiários, chegando a quase 700 mil pessoas atrás das grades, em situação que não foi prevista por nenhuma ficção ou descrição do que poderia vir a ser o inferno.

Ninguém sabe ao certo o número de detentos que morre dentro dos estabelecimentos penais, porém, um verdadeiro massacre aconteceu em Manaus (AM), no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no primeiro dia do ano, e deu uma amostra do que pode acontecer nos presídios brasileiros.

Pelo menos 60 pessoas foram assassinadas dentro do presídio, alegadamente vítimas de organizações criminosas. Boa parte delas foram degoladas, esquartejadas, queimadas vivas. Não é possível reconhecer a maioria das vítimas.

O Compaj abrigava mais de 1.200 detentos no regime fechado, mas a capacidade do sistema é de 592 presos, ou seja, o massacre foi anunciado, instigado pelo próprio sistema. Essa proporção é praticamente a mesma nos presídios brasileiros. O que aconteceu em Manaus pode acontecer em quase todo presídio.

A imprensa burguesa apresentou o problema com como sendo resultado apenas de conflito entre as organizações Comando Vermelho, Família do Norte e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na verdade, o sistema penal não poderia resultar em outra coisa que não fosse um massacre desse porte que é reproduzido homeopaticamente todos os dias em todos os estados.

O juiz Luís Carlos Valois, colunista do Jornal Causa Operária, foi mediador na questão, afirmou, em sua página do Facebook que viu “muitos corpos, parecendo que morreram entre 50 a 60 presos (pessoas), mas difícil afirmar, pois muitos estavam esquartejados. Quando a polícia entrou no Complexo, voltei para casa. Nunca vi nada igual na minha vida, aqueles corpos, o sangue…”

Uma das reivindicações dos presos era a revisão dos processos, pois muitos deles, senão todos, são resultado de fraudes processuais. Também por isso, é preciso lutar contra o encarceramento em massa, contra toda e qualquer lei que vise aumentar o poder repressivo do estado, por mais “ética” que pareça.

O negro e os trabalhadores devem se organizar para lutar contra todo o aparato repressor do estado. Essa luta, neste momento, passa em primeiro lugar pela luta contra o golpe de estado que está em andamento no País. Enquanto o golpe se aprofundar, mais tragédias como a que foi vista em Manaus serão registradas.

artigo Anterior

Isso sim é “populismo”

Próximo artigo

MEC golpista quer o fim do ensino noturno

Leia mais

2 Comentários

Deixe uma resposta