“Para quem não basta “bandido morto”, juiz morto também é indiferente”

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Republicamos aqui a declaração dada pelo juiz e colunista do jornal Causa Operária, Luís Carlos Valois, sobre os ataques da direita golpista contra ele.

Valois, após participar da negociação na revolta dos presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, foi caluniado em artigo de Fausto Macedo, do periódico golpista O Estado de S. Paulo, por associação com uma das facções em conflito na revolta.

É importante reafirmar o caráter mentiroso e reacionário da imprensa golpista, que usou de acusações vazias contra o juiz apenas por ele representar uma ala democrática (e extremamente pequena) dentro do Judiciário e se aproximar a entidades progressistas da esquerda, como o PCO.

Segue abaixo a nota de Valois:

Por Luís Carlos Valois, em seu Facebook

Sobre a covardia do Estadão. Ontem, depois de passar doze horas na rebelião mais sangrenta da história do Brasil, um repórter, dito correspondente desse jornal me liga. Eu digo que estou cansado, sem dormir a noite toda, mas paro para atende-lo por vinte minutos. Algumas horas depois sai a matéria: “Juiz chamado para negociar rebelião é suspeito de ligação com facção no Amazonas”. O Estadão é grande, eu sou pequeno, um simples funcionário público do norte do país. Eles não publicaram nada do que falei, nem, primeiramente, o fato de que eu não era o único a negociar a rebelião. Desenterraram uma investigação contra mim da Polícia Federal em que esta escuta advogados falando o meu nome para presos, sem qualquer prova de conduta minha. Detalhe, todos os presos das escutas estão presos, nunca soltei ninguém. Mas insinuaram que isso tinha algo a ver com o fato de eu ter ido falar com os presos na rebelião, que sequer eram os mesmos da escuta. Fui porque tinha reféns. Estamos no recesso, eu não estou no plantão, fui porque havia reféns, dez reféns, mas isso eles não falaram também. Fui chamado pelo próprio Secretario de Segurança do Amazonas que, não por coincidência, é um dos delegados da Polícia Federal mais respeitados do Estado. Ele, o delegado, veio me buscar em casa, me cedeu um colete a prova de balas, e fomos para a penitenciária. O secretário de administração penitenciária, egresso igualmente da PF também estava lá aguardando. Tudo que fiz, negociei e ajudei a salvar dez funcionários do Estado, reféns dos presos, fiz sob orientação dos policiais. Tudo isso falei para o tal Estadão, mas foi indiferente para eles. Agora recebo ameaças de morte da suposta outra facção, por causa da matéria covardemente escrita, sem sequer citar o que falei. Covardes. Estadão covarde, para quem não basta “bandido morto”, juiz morto também é indiferente.

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