Feliz “1917”

Compartilhar:
Antônio Carlos Silva
O ano de 2016, por certo ficará marcado na história nacional como aquele em que a direita impôs uma reviravolta na situação do País. O golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilmam Roussef (PT), representou um  um enorme retrocesso político, com a direita pró-imperialista, inimiga do povo brasileiro e de todos os seus interesses, usurpando o voto popular, avançando no sentido de estabelecer um regime ditatorial, de cassação dos direitos democráticos dos explorados e de suas organizações de luta e iniciando uma brutal ofensiva contra as condições de vida do povo e contra a economia nacional.
Amparados nas vitórias do golpe no Congresso nacional e Justiça, confirmada nas eleições viciadas de outubro, a direita pressionou o governo ilegítimo e golpista de Temer a avançar sobre os explorados, com a já clara disposição das alas mais reacionária do golpe de se livrar do próprio governo depois que sua missão de ataque esteja cumprida.
Se esta perspectiva se impuser definitivamente e se consumar em 2017, com a aprovação de medidas como as “reformas” da Previdência, trabalhista e educacional e com maiores arbitrariedade, como a desejada prisão do ex-presidente Lula, os estragos de 2016 serão lembrados apenas com o ano em que o grande pesadelo começou. E tudo que hoje é muito ruim como o aumento de 30% do desemprego, verificado no final do último ano, em relação a 2015, ficará muito pior.
Mas o ano que passou mostrou também que, em lugar nenhum do mundo, as vitórias dos setores mais reacionários da sociedade atual, o imperialismo, o regime de exploração dos grandes monopólios, são definitivas. A “saída” do “velho regime” que sempre é atacar as massas para defender seus lucros e interesses dos tubarões capitalistas contra os dos povos oprimidos, mostra-se cada vez mais caduca e incapaz de oferecer um alívio duradouro para o próprio colapso capitalista.
Assim, o que parecia uma vitória fácil na Turquia, transformou-se em uma encruzilhada e fonte de pesadelos no principal portão de entrada do Oriente, com a derrota do golpe contra Erdogan.
O massacre que parecia encaminhar a Síria para um novo Iraque ou Líbia, destruídos pelos ataques imperialistas, com fuzilamento dos dirigentes nacionais por invasores estrangeiros e confisco das riquezas nacionais, principalmente do petróleo, sofreu uma derrota espetacular em Alepo.
Na sua própria casa, os golpistas imperialistas não conseguiram impor a sua alternativa e viram uma parcela do povo se apoiar em um elemento da própria burguesia para derrotar  a candidata dos banqueiros, da indústria das armas e do petróleo, que dominam o caquético regime democrático norte-americano.
Não são ocorrências ocasionais. A história da humanidade está repleta de episódios nos quais a tentativa dos velhos regimes de se impor, se depara com a resistência das vítimas e, em muitas destas oportunidades, quebra-se a corrente, estabelece-se uma nova etapa de avanços, lutas e conquistas dos explorados.
Começou o ano do centenário da revolução russa, a maior vitória de todos os tempos, da luta dos explorados, contra os exploradores.
Em uma situação extremamente difícil, em nosso País e em todo o mundo, a classe operária está confrontada com a necessidade de aprender com suas derrotas presentes, mas pode também se apoiar nas lições da luta vitoriosa contra a sua escravidão aqui e em todo mundo.
Que 1917, nos sirva, mais do que nunca, de inspiração, de exemplo vivo e concreto de que é possível transformar uma onda de retrocesso e derrotas do proletariado, como era o caos e a situação de fome e miséria gerado, então, pela I Guerra Mundial, em uma nova etapa revolucionária que abra caminho para uma derrota definitiva do regime de exploração do homem sobre o homem.
Começou 2017. Que, no futuro, ele seja lembrado como o ano em que triunfou a luta que barrou o golpe de Estado, que barrou no Brasil a maior ofensiva contra os trabalhadores de todos os tempos e que se fortaleceu em nosso País e no mundo a luta pela necessária organização independentes dos explorados, em partidos operários e revolucionários, que seguindo o glorioso exemplo dos bolcheviques há um século, ponham de joelhos a burguesia mundial e avancem na obra da construção do socialismo em todo o mundo.
Esta é a causa pela qual vale a pena encarar de frente os desafios colocados parao ano que se inicia.
artigo Anterior

Ex-PSTU, que nega que houve golpe, acusa o PT de não lutar contra o impeachment

Próximo artigo

Gabeira: um fã de Dallagnol, um amante dos Estados Unidos

Leia mais

Deixe uma resposta