EUA acusam Mantega: o que eles têm a ver com a Lava Jato?

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Depois que o Departamento de Justiça norte-americano divulgou documentos sobre investigações de empresas brasileiras acusando-as de pagamento de propina em negociações firmadas em mais de 10 países e acusarem indiretamente membros dos governos Lula e Dilma de corrupção, a imprensa brasileira busca dar “nome aos bois”.

O jornal O Estado de S. Paulo, entre outros, reconhece que os documentos não citam nominalmente ninguém. Fala apenas em coisas do tipo: “membro do alto escalão do governo”.

Analisando os documentos, a imprensa chegou à história de um repasse de R$ 50 milhões da Odebrecht para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010.

A Braskem, braço petroquímico da Odebrecht teria negociado “com autoridades do governo, de 2006 a 2009, para garantir um benefício tributário à petroquímica. Para que as negociações avançassem, as empresas receberam um pedido de um ministro de Luiz Inácio Lula da Silva. O Estado apurou que a solicitação foi feita por Guido Mantega, então titular da Fazenda”.

O jornal também envolve o ex-ministro Antonio Palocci e Lula. Segundo O Estado “primeiro foi feito um apelo a uma autoridade brasileira do governo Lula, identificada como o ex-ministro Antonio Palocci. Mesmo depois de deixar o governo, ele atuava como consultor da Braskem, segundo os investigadores. O apelo, conforme os relatórios americanos, era para que Lula pedisse que tratasse do assunto”.

Para dizer que mostra os dois lados da história o jornal buscou contato com “assessoria de Dilma Rousseff” que “não foi localizada”. Já José Roberto Batochio, que defende Guido Mantega e de Antonio Palocci, disse que eles “negam peremptoriamente todos os fatos”. “Desconhecem ambos qualquer eficácia ou validade de atos de autoridades de Estado estrangeiro em face da soberania brasileira”.

Essa declaração de Batochio resume bem a história toda. Assim como já disseram os advogados do ex-presidente Lula.

O acordo de leniência assinado pela Odebrecht e Braskem foi intermediado pela Lava Jato de Sérgio Moro que vem sendo amplamente denunciado como uma ação que total interferência e influência dos EUA.

Os advogados de Lula afirmaram no final de novembro que, “o que estamos vendo é que agentes públicos que integram a força-tarefa da Lava Jato estão atuando em conjunto com agentes estrangeiros, inclusive em território brasileiro, sem que haja qualquer formalização dessa cooperação. Isso parece estar ocorrendo não só em relação a delações premiadas internacionais, mas também em relação a atos de investigação e inteligência policial”, disse Cristiano Zanin Martins.

Segundo Zanin, “há agentes estrangeiros participando de monitoramento telefônicos, de análises cibernéticas? Que tecnologia foi utilizada para separar e divulgar, em apenas duas horas, uma conversa captada sem autorização judicial entre a então Presidenta Dilma e o ex-Presidente Lula? São essas e outras situações que precisam ser esclarecidas, até porque há condutas penalmente relevantes que podem, em tese, estar sendo cometidas por determinados agentes públicos brasileiros”.

Diante de tudo isso a pergunta feita no título deste artigo é crucial para entender a Lava Jato e o golpe de Estado.

Vai ficando claro que o imperialismo está totalmente relacionado com a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, que foram e são, elementos cruciais do golpe de Estado.

Os Estados Unidos têm muitos interesses com o golpe, inclusive comerciais como a atuação no Brasil de empresas construtoras e empreiteiras como a brasileira Odebrecht.

Como disse a defesa de Palocci e Mantega, fere a soberania nacional a investigação feita pelos EUA através da Lava Jato. E essa é apenas uma das maneiras que o imperialismo encontrou para interferir na crise política nacional e possibilitar o golpe.

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