Desigualdade: a essência do capitalismo

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Uma pesquisa recente mostra que a desigualdade na Alemanha é igual à que existe no Brasil hoje, a estatística, apesar de muito contundente, mostra um fato conhecido aos partidos operários desde sempre : O capitalismo é incapaz de garantir uma igualdade social, e na maioria dos casos incapaz de garantir até o mínimo para uma vida digna.

Na Alemanha, bastião do capitalismo moderno, país com o terceiro maior PIB do mundo, e a maior potência na Europa vemos até onde pode chegar o capitalismo. De acordo com os dados do pesquisador, Christoph Butterwege, 20% da população não possui bem algum, e 7% possuem mais dívidas que bens, ou seja, perto de um terço do povo alemão está completamente despossuído. Isso num país imperialista, se as estatísticas fossem feitas no Brasil, ficaria evidente um quadro bem pior que esse.

Quando o pesquisador diz que a desigualdade é igual no Brasil e na Alemanha, ele, naturalmente fala em termos proporcionais, o pobre alemão vive melhor que o brasileiro, mas o rico alemão também é privilegiado em comparação com o brasileiro. Mas no melhor dos melhores o nível é, em termos absolutos, baixo. Como mostrado acima, um terço da população possui absolutamente nada, enquanto várias famílias burguesas possuem bilhões de euros.

Como o desemprego e a fome, a desigualdade se espalha de leste a oeste no globo, isso não é acidente, isso não é incompetência de todos os governantes até hoje, o capitalismo é um sistema organizado para a manutenção da desigualdade.

Está escrito nas bases do sistema capitalista. O capitalismo consiste de um sistema de produção em que existem duas classes: a burguesia, dona das fábricas, fazendas, dos meios de produção em geral, e a classe trabalhadora, que não tem meio de produção algum, a não ser ela própria. O patrão, apesar ser dono dos meios de produção, precisa do trabalhador para usar desses meios. É óbvio que o burguês irá fazer com o trabalhador produza uma quantidade e apenas receba de salário uma fração do que foi produzido. Considerando o exemplo de uma fábrica, onde milhares de trabalhadores trabalham e produzem, e, apenas uma pessoa, ou grupo pequeno possuem a fábrica, é lógico que a maior parte da riqueza produzida seja transferida para as mãos desses poucos burgueses, enriquecendo-os às custas de um exército de proletários.

Outra característica desse problema é que a burguesia fará o possível para diminuir a parcela da riqueza produzida paga ao trabalhador, Como o governo Temer está fazendo agora com a reforma trabalhista. Para levar a situação ao extremo do absurdo, se a produção for melhorada, isso não significará uma melhora na condição de vida do trabalhador. Se numa montadora descobre-se um novo método para produzir e onde se produzia um carro por hora, agora produzem-se dois, isso não significa que o salário do trabalhador vai dobrar, pelo contrário, se o burguês não tiver necessidade de manter esses trabalhadores excedentes empregados ele irá demiti-los, aumentando a desigualdade na sociedade.

O capitalismo é a sociedade em que o povo trabalha, produz uma quantidade enorme de riquezas, mas a maior parte dessas vai para os donos dos meios de produção, que não produzem. Se há uma crise e alguém tem que perder, perde aquele que produz. Isso, com séculos de um sistema que concentra a renda na mão de poucos gerou a aberração que temos hoje, um mundo onde 62 bilionários possuem o mesmo que os 50% mais pobres.

A lógica também dita que a situação tende a piorar. Os salários não aumentam na mesma medida em que a produção aumenta, aumentando a desigualdade, novas tecnologias aumentam a produtividade, mas isso não se traduz numa mudança da proporção de qual classe levará mais riquezas do que foi produzido, e ainda leva a demissões dos funcionários que são considerados “desnecessários” aos capitalistas.  isso em termos gerais, há casos específicos para isso. A qualidade de vida melhorou, mas isso é porque o tamanho da riqueza aumentou. Em termos queridos à ditadura militar : O bolo aumentou, mas se antes o trabalhador tinha direito a um quarto do bolo, hoje ele tem apenas um quinto.

Por um lado a burguesia busca impor ataques duros a qualidade de vida do povo, e ainda vemos que nas maiores potências capitalistas, a situação é aceitável. Por outro momento se coloca como uma necessidade para a acabar com a desigualdade e com a fome acabar com o sistema que precisa da desigualdade e da fome para existir.

O capitalismo mostrou estar ultrapassado. A propriedade privada dos meios de produção tem que evoluir. Evoluir para onde? Para a propriedade coletiva. Os que produzem, a esmagadora maioria precisa ser dona dos meios de produção. Os reacionários, e as caixas de ressonância da ideologia burguesa dirão “mas e o direito de propriedade?” A isso basta os operários dizerem “Direito é apenas aquilo que é para todos, se alguém é dono de uma fábrica, milhões estão privados desse direito, ser dono de um meio de produção é um privilégio, nós vamos tornar isso um direito de todos e para isso extinguir a propriedade privada. toda a riqueza social tem que ser da sociedade e por ela utilizada.”.

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