Reforma ou contrarrevolução?

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Em meio a uma enorme crise, o governo golpista de Temer tenta aprovar uma série de reformas econômicas e políticas para mostrar trabalho para a direita pró-imperialista. A direita pró-imperialista deu o golpe no País para impor um programa de ataques brutais contra toda a população, especialmente contra os trabalhadores.

O problema consiste em que, para colocar em prática tal programa, é preciso é preciso passar por cima de interesses não só da população em geral, mas de setores da própria burguesia. É aí que entra as dificuldade e a crise do governo de Temer.

O PMDB do golpista Temer é o partido mais importante da burguesia nacional, com enormes contradições internas. Ali se encontram desde setores da burguesia mais próximos ao imperialismo até setores poderosos das oligarquias locais nos estados e municípios. O PMDB lidera uma gama de partidos que a imprensa golpista chamou de “centrão”, como o PSD, o PP, o PRB e outros com características semelhantes.

Esse “centrão”, embora tenha se unificado com o imperialismo para derrubar Dilma, depois de enorme pressão, vê agora seus interesses sendo confrontados pela ala mais importante da direita golpista. Em outras palavras, o programa dos golpistas se choca com os interesses econômicos de um amplo setor da burguesia nacional. É impossível para o imperialismo, diante da enorme crise internacional, qualquer conciliação inclusive com a burguesia nacional.

Temer está sujeito à pressão desse setor. É daí que vem a dificuldade do governo golpista de colocar em prática exatamente o programa de reformas que precisa o imperialismo. E é aí que começa a necessidade da direita pró-imperialista de se livrar de Temer e principalmente de toda a ala ligada ao centrão no Congresso Nacional.

Até agora os jornais burgueses golpistas têm deixado claro que as reformas econômicas que Temer conseguiu aprovar são “insuficientes”. Isso se deve às dificuldades que o “centrão” tem colocado nas aprovações das medidas. Apenas para citar um exemplo, a votação da PEC do teto no Senado perdeu oito votos do primeiro para o segundo turno, fica claro que isso se deve à rebelião da própria base do governo golpista que vê na reforma uma ameaça aos seus interesses.

Esse é o fundamento da crise do golpe. Essa é a causa dos ataques da direita contra Temer que já decidiu que para impor seu programa de ataques terá que colocar um governo que esteja mais diretamente alinhado aos interesses do imperialismo, no caso, um governo PSDB-DEM. A última cartada de Temer contra a ofensiva da direita é a reforma ministerial em que promete trocar seus ministros por nomes de maior confiança do imperialismo. Se vai dar certo, não sabemos, mas tudo indica que não.

A luta política entre as diferentes alas golpistas é o fator fundamental da situação política. A crise institucional que veio à tona depois dos recentes embates entre Renan Calheiros e o STF é parte dessa luta.

O imperialismo tem um plano de reformas econômicas brutais contra o povo, mas para conseguir colocar em prática, em primeiro lugar é preciso conquistar definitivamente o poder político. É preciso, além de dominar o governo, transformar o regime político no sentido de acabar com as contradições internas que dificultam seus planos. Por isso, a ação da direita pró-imperialista é cada vez mais no sentido de uma ditadura contra o povo. Um regime que não permite a participação de interesses e classes sociais contraditórias é por si só antidemocrático.

É daí que surge a necessidade de aprovar medidas que aumentem o poder do Judiciário como tem acontecido com a Lava Jato golpista. O desenvolvimento da crise, então, conforme já destacamos nesse jornal pode levar inclusive a uma intervenção militar e a um regime abertamente ditatorial.

Esses fatos deixam claro uma lição para o próprio movimento dos trabalhadores. É preciso um eixo de luta político, que coloque em perspectiva a luta pelo poder. A direita quer controlar o regime político, garantir o poder para impor suas medidas econômicas contra o povo. Da mesma maneira, os trabalhadores e os movimento de luta precisam lutar contra o golpe, pela anulação do impeachment que significa derrotar e frear s golpista e retornar à situação anterior. As lutas parciais contra cada uma das medidas da direita golpista apenas darão mais espaço para a própria direita.

Para a burguesia, a contrarrevolução, ou seja, a o regime político ditatorial, está colocada como uma possibilidade caso seu programa de reformas não consiga ser colocado em prática apenas por medidas parciais.

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