Uma esquerda não combativa, não socialista, não revolucionária, nem democrática

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Os companheiros que atuam nos movimentos popular, estudantil e sindical conhecem muito bem como funciona a política de toda a esquerda pequeno-burguesa. É uma esquerda que participa de qualquer movimento para conseguir pequenos ganhos, em geral um cargo no sindicato ou em algum Centro Acadêmico. Usam uma greve ou uma ocupação até o momento em que esse movimento não serve mais aos seus interesses, depois, correm para entregar tudo para o patrão, para o governo ou para a reitoria.

É assim que atua a esquerda nos movimentos. Em geral, são os últimos a aderirem e os primeiros a entregarem. É muito discurso inflamado e pouca ação, para não dizer que a única ação que tomam de fato é o controle do movimento para benefício próprio. É uma esquerda que há muito não é combativa, se é que alguma vez já tenha sido.

Essa comportamento também revela que essa esquerda está muito longe de ser revolucionária. O ação totalmente pelega em sindicatos e nos movimentos em geral é uma expressão de um programa político que não defende a revolução. E de fato não defende. De um jeito ou de outro, dependendo da força eleitoral de cada um, todos os grupos da esquerda trocam qualquer ideia de revolução por uma bom eleição. Alguns, como o PT e o PCdoB e uma parte do PSOL, conseguem se eleger nas eleições burgueses, outros se contentam com um cargo no sindicato ou no Centro acadêmico.

Quem conhece os partidos da esquerda pequeno-burguesa está acostumado a assistir a um espetáculo grotesco de oportunismo eleitoral. Nas universidades, por exemplo, os militantes desses grupos só começam a se movimentar mesmo nas eleições. Depois de uma ano parado, a eleição para o Centro Acadêmico, por mais insignificante que seja, é motivo para animar os eternos desanimados. Essa política eleitoreira mais rasteira é a marca da esquerda pequeno-burguesa. Revolução, para ela, só serve se for para fazer discurso para ganhar alguns votos.

Se não há revolução também o socialismo está muito longe dessa esquerda. Ainda mais do que o discurso revolucionário, o socialismo é usado e abusado pela esquerda, talvez porque seja uma palavra mais bonita do que revolução.

É partido socialista pra cá, é partido socialismo pra lá, mas basta uma breve análise para descobrir que tudo não passa de nomenclatura. O PSOL, por exemplo, que inventou o “socialismo com liberdade” abriga em suas fileiras um sem número de oportunistas que está cada vez mais difícil relacionar o partido ao socialismo. Vejam só, aqui não estamos exigindo do PSOL o socialismo científico de Marx e Engels que seria já muito distante de qualquer programa do PSOL. Quando dissemos que o PSOL não é socialista estamos nos referindo àquele socialismo mais utópico, cristão até.

O leitor deve estar se perguntando então, se essa esquerda pequeno-burguesa não é socialista, não é combativa, muito menos revolucionária, pelo menos algumas ideias progressistas, democráticas ela defende. O golpe de Estado em curso no Brasil está mostrando que não.

Toda a esquerda pequeno-burguesa de uma forma ou de outra apoiou o golpe. De uma forma ou de outra, ou demorando demais para admitir que havia um golpe, ou simplesmente fazendo uma frente única com os golpistas, a esquerda pequeno-burguesa foi engolida pelos acontecimentos políticos.

Mas não foi apenas o apoio político ao golpe. A esquerda embarcou na campanha da ditadura do Judiciário. Luciana Genro não se cansa de rasgar elogios à Lava Jato de Sérgio Moro. A bancada do PSOL se orgulha de uma coisa incrível: ser um dos poucos partidos na Câmara que defendeu a integridade das chamadas “10 medidas contra a corrupção” propostas pelos procuradores fascistas do Ministério Público Federal. Medidas que visam colocar o País num regime de exceção, acabando com direitos mais elementares do cidadão.

O PSOL e o PSTU também aplaudiram a tentativa do Supremo Tribunal Federal (STF) de cassar Renan Calheiros da presidência do Senado. Defendem que os Ministro do Supremo passam intervir no Congresso Nacional, ou seja, transformar o País numa ditadura do poder Judiciário. Resta saber se em nome da “luta contra a corrupção” a esquerda pequeno-burguesa irá apoiar também a intervenção militar, alguns estão muito próximos disso.

Essas posição colocam definitivamente a esquerda pequeno-burguesa na falência completa. Essa crise da esquerda é a crise do regime político ao qual ela está completamente adaptada.

 

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