A frente única Globo, Folha e a esquerda-pequeno burguesa

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Nas últimas semanas tem se intensificado a campanha da imprensa burguesa contra o governo golpista de Michel Temer. Pelas contradições que o próprio PMDB, um representante da burguesia nacional, tem com o setor mais importante dos golpistas, os jornais já preparam um clima de desestabilização do governo. O objetivo da ala mais alinhada ao imperialismo dos golpistas é que o atual governo de Temer, uma frente entre PMDB-PSDB, com predomínio do primeiro, seja substituído por um governo PSDB-DEM.

A imprensa já dá como praticamente certa a queda do presidente, embora anuncie que no ano que vem Temer fará uma reforma ministerial com o objetivo de adaptar o governo aos interesses da direita pró-imperialista. Não é certo, mas o comportamento da própria imprensa golpista mostra cert ceticismo de que tal reforma será suficiente para os objetivos do golpe.

Se Temer cair, a única divergência é quanto ao que será feito posteriormente. O jornal O Globo, um dos principais articuladores do golpe de Estado, ligado à familia Marinho, defende que ocorram eleições indiretas, ou seja, o novo presidente seria escolhido pelo Congresso Nacional. Já a Folha de S. Paulo, ligado à família Frias, defende uma mudança na Constituição e que as eleições sejam diretas.

O fato é que a política preferencial dos golpistas parece ser mesmo a queda do governo. A questão das eleições acaba sendo parte de um debate secundário, já que os golpistas não farão a opção por uma via que não seja absolutamente controlada por eles. Tanto a opção por eleições diretas como as indiretas serão mais um instrumento do golpe, como foram, por exemplo, as eleições municipais.

De acordo com a lei, se o presidente e o vice forem destituídos do cargo nos dois primeiros anos de mandato, o novo presidente deve ser escolhido pelo voto popular. Se ocorrer nos dois últimos anos, a escolha deve ser feita de forma indireta.

De qualquer forma, a posição de dois jornais abertamente golpistas revela a ilusão e a posição também golpista da esquerda pequeno-burguesa. Setores do PT, o PSOL e outros grupos da esquerda levantam as palavras de ordem como o “Fora, Temer” e “Diretas já!” Na melhor das hipóteses, essa política da esquerda pequeno-burguesa está a reboque da política do setor fundamental dos golpista. O senador do DEM, Ronaldo Caiado, por exemplo, está defendendo abertamente a antecipação das eleições.

Essa política da esquerda serve apenas para jogar mais água no moinho da direita e dar respaldo aos setores golpistas que também querem substituir Temer por uma figura vinculada diretamente ao imperialismo, como é o caso, por exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

É preciso se contrapor aos golpistas por meio da mobilização popular contra o golpe. Organizar os comitês de luta, defender a anulação do impeachment, derrotar o golpe. Essa é a única política possível para o movimento popular diante da crise do golpistas.

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