Conspiração em andamento: o caso do programa nuclear brasileiro

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Mais uma delação da Odebrechet será utilizada pela Operação Lava Jato nos próximos dias para desfechar um novo ataque ao Programa Nuclear brasileiro.

Segundo O Estado de S. Paulo dessa quarta-feira (15), a empresa vai detalhar “os bastidores de pagamentos relacionados ao Programa de Desenvolvimento de Submarino (Prosub) da Marinha do Brasil”.

Entre os citados está, mais uma vez, o pai do programa nuclear brasileiro, o almirante Othon Pinheiro da Silva, preso duas vezes pela Lava Jato, acusado de corrupção em obras da usina Angra 3. Um delator, Luiz Eduardo Soares, funcionário do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, afirma ter participado no pagamento de 4,5 milhões de euros ao almirante.

Encobrindo o caso com detalhes como a conta e o nome da holding que teria viabilizado os pagamentos, a imprensa burguesa oculta o fundamental: os interesses que estão em jogo.

Othon é acusado de ter recebido propina na construção do primeiro submarino brasileiro. O programa pioneiro foi lançado em 2008 no segundo mandato de Lula. Seria desenvolvido em uma parceria com o governo da França.

O almirante esteve à frente do programa nuclear brasileiro de 1979 a 1994. Em 2004, já havia a pressão dos EUA contra o desenvolvimento do programa. Deu um dado concreto: embora fossem menos eficientes, as centrífugas desenvolvidas no Brasil para enriquecer urânio eram mais baratas que as norte-americanas. Muito mais baratas. Se fosse necessário 20 centrífugas brasileiras para produzir o mesmo que uma norte-americana, essas 20 custariam menos do que uma norte-americana.

Não ter tecnologia própria em uma área tão estratégica quanto a da energia nuclear colocava o País como refém dos interesses do imperialismo. Ter seu primeiro submarino nuclear e toda a infraestrutura para construir mais e ir além é algo intolerável. Ainda mais quando se trata de um projeto orçado em R$23 bilhões.

O curso de ação, então, ficou claro: era preciso parar o programa nuclear brasileiro. Entra a Lava Jato. Othon foi acusado de receber propina. A França, com quem o governo Lula firmou parceria, alijada do processo. Se o Brasil quer energia nuclear, deverá submeter-se ao que os EUA quiserem disponibilizar. Não é a primeira vez. Caças, tanques, armas etc. A soberania do País está comprometida pela interferência do imperialismo norte-americano.

Por que deixar que o Brasil desenvolva sua tecnologia e, ainda pior, o faça em parceria com um concorrente do porte da França?

Othon foi condenado a 43 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa. É mais do que o dobro de pena do que José Dirceu, condenado a 20 anos.

Eis os pesos e as medidas do golpe: 20 anos para José Dirceu por querer transformar o PT no principal partido no cenário nacional; 43 para Othon por desenvolver um submarino nuclear totalmente nacional e tirar os EUA de uma jogada de bilhões de dólares.

Fica evidente o propósito da Lava Jato, da República do Paraná e do golpe. É um ataque contra o País, para destruir a economia nacional. É a conspiração contra todo o povo brasileiro feita à luz do dia.

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