PSTU se sente enganado pelo MBL na frente golpista

Compartilhar:

A esquerda que não viu o golpe antes de ele acontecer, agora tenta ignorá-lo depois de consumado. É o caso do PSTU, que caminhou a reboque da direita durante a campanha golpista e continua assim agora. Esta semana, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), assinou uma liminar determinando o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Mais uma interferência do Judiciário no Legislativo, depois que o MPF (Ministério Público Federal) pressionou os senadores para aprovarem um pacote de medidas ditas “anticorrupção”, na verdade um pacote de medidas de exceção que vão na direção da política da direita golpista de alterar o regime político. A liminar, porém, foi derrubada pelos colegas de Marco Aurélio no STF, e Renan Calheiros se manteve no cargo. Esse desfecho evitou que um petista, Jorge Viana (PT-AC), assumisse a presidência da Casa, na iminência da votação da PEC 55.

Diante desses fatos, o PSTU publicou em seu sítio um texto para denunciar um “acordão” entre “STF, PT e PSDB”, sob o seguinte título: “Acordão! STF, PT e PSDB juntos para safar Renan Calheiros”. Segundo o PSTU, opinião que é repetida por uma parte da esquerda, o PT seria responsável pela permanência de Renan Calheiros, por um lado, e deveria ter lutado para derrubá-lo, por outro. Junto com o Judiciário, o PT deveria ter colaborado para enfraquecer ainda mais o Congresso. Ainda segundo o PSTU, ao não fazer isso, Jorge Viana seria responsável pela aprovação da PEC 55, já que ele poderia assumir a presidência do Senado e impedir a votação na próxima terça-feira (13).

Ou seja, a política do PSTU contra a PEC 55 é defender a interferência de um juiz no Congresso, e por não fazer isso, o PT estaria em um acordão para aprovar a PEC, e não para evitar essa interferência. Assim o PSTU joga no colo do PT uma PEC que esse partido não apresentou enquanto estava no governo, e que faz parte justamente do programa dos golpistas que derrubaram o PT. O PSTU faz isso para tentar fingir que não houve golpe, e apresenta o “acordão” como a “grande evidência”.

De fato, o próprio PSTU segue essa política, de reproduzir campanhas da direita para disputar, com a direita, os coxinhas mobilizados… pela direita. Foi assim com o “Fora, Dilma!”, repetindo o erro de avaliação dos morenistas quando analisavam a situação internacional nos últimos anos (golpe fascista na Ucrânia, golpe militar no Egito). Nessa disputa com a direita, tudo o que o PSTU conseguiu foi estar sempre a reboque da direita e do imperialismo.

Nesse quadro, chama atenção a polêmica do PSTU com seus companheiros de frente golpista, o MBL. Os morenistas do PSTU denunciam seus companheiros do MBL nos seguintes termos: “Também causou ‘estranheza’ o silêncio de grupos como o MBL (Movimento Brasil Livre) que se disseram pelo ‘Fora, Renan’ nos atos do último domingo e agora não deram um pio contra o presidente do Senado. Tudo para proteger o governo de Temer, de quem são capachos.” Como se o PSTU fosse o verdadeiro defensor do “Fora, Renan!”, como se o PSTU tivesse mobilizado os coxinhas para gritar “Fora, Renan!” O problema é que essa palavra de ordem, na medida em que existiu nas ruas vocalizada pelos coxinhas no fim de semana, era a palavra de ordem de direita. Não pertence ao PSTU. Não adianta o PSTU tentar se apresentar como um MBL mais puro para tentar convencer algum coxinha. É o PSTU que está indo atrás da política da direita, e não vai conseguir ganhar nada com isso.

artigo Anterior

Fora Temer ou abaixo o golpe?

Próximo artigo

Alckmin aprova a criação do “Dia da Mulher Cristã Evangélica”

Leia mais

Deixe uma resposta