Hollande não será candidato

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Na noite desta quinta-feira (1º), o presidente da França, François Hollande, em final de mandato, anunciou que não irá se candidatar à presidência e tentar a reeleição. Hollande é o primeiro presidente a não tentar se reeleger desde 1958. Em um comunicado oficial televisionado, Hollande defendeu as medidas impopulares de seu governo, e reconheceu que essas medidas estão “demorando” para ter o efeito esperado. Hollande atacou direitos dos trabalhadores com uma reforma trabalhista e com cortes de gastos públicos.

A reforma trabalhista rachou o partido de Hollande, o Partido Socialista (PS), partido da esquerda do regime francês. Hollande afirmou não ser capaz de unir a esquerda, fragmentada diante do avanço da direita e da extrema-direita. A desistência de Hollande beneficia Manuel Valls, atual primeiro-ministro, pertencente a uma ala direitista minoritária do PS, nomeado para impor a reforma trabalhista a um Congresso em que a bancada do próprio PS rebelou-se contra o governo, dividindo-se. Durante esse ano, centrais sindicais e o movimento estudantil organizaram protestos durante meses contra a reforma, que aumentou a jornada de trabalho e facilitou demissões, entre outros ataques contra as condições de vida dos trabalhadores.

Trata-se de um provável deslocamento à direita dentro do PS nas eleições. A esquerda está tão abalado que não consegue enfrentar a direita, escolhendo apoiar a direita tradicional contra a extrema-direita. Atrelados ao regime, os partidos tradicionais da esquerda europeia, em todo o continente, está se afundando ao juntar-se à direita tradicional em busca de deter o avanço da extrema-direita.

O apoio à direita, no entanto, não servirá para deter a extrema-direita. Nas eleições em abril, os candidatos mais fortes devem ser Marine Le Pen, da Frente Nacional, contra François Fillon. Le Pen, representando extrema-direita, dirige-se aos trabalhadores com um discurso demagógico, enquanto Fillon promete mais austeridade e cortes, um candidato sob medida para entregar a vitória à extrema-direita, ele mesmo resultado da pressão da extrema-direita sobre o regime de conjunto. Deslocando-se à direita, o PS só ajudará a fortalecer Le Pen.

Do ponto de vista eleitoral, a única política que poderia levar a extrema-direita a um recuo seria com uma candidatura da classe trabalhadora, ligada aos sindicatos, ao movimento operário, a exemplo do que aconteceu com a eleição de Jeremy Corbyn para ser secretário-geral do Partido Trabalhista, o que pode levar a um retrocesso do UKIP no próximo período. A política do PS, de ir ainda mais para a direita, e de apoiar a direita, como fez em muitas cidades no segundo turno das eleições municipais, leva ao fortalecimento de uma extrema-direita que vai aparecer como única força política que se opõe aos grandes capitalistas e defende os trabalhadores, mesmo que isso seja mentira e pura demagogia de sua parte.

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