Combate à corrupção: utopia pequeno-burguesa

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As “10 medidas contra o corrupção” colocaram toda e esquerda num frenesi de direitismo. PSOL se apresentou como vanguarda na retirada de direitos, exigindo aprovação integral das chamadas “10 medidas contra a corrupção” que legalizam entre outras coisas, a condenação sem provas concretas, medida “2” proposta pelo MP do Paraná, medidas que dificultam o Habeas Corpus e o direito de defesa, além de medidas para “responsabilizar” os partidos, ou seja, tornar as organizações representativas reféns dos promotores e juízes. Tudo isso em nome da sagrada luta contra a corrupção, temos que nos perguntar o que significa essa luta e o que os trabalhadores têm a ganhar com ela.

A corrupção é algo intrínseca ao sistema capitalista, ela é, para usar uma expressão popular, a união da fome com a vontade comer. A sociedade é voltada para o enriquecimento individual de cada um e da competição pela riqueza da sociedade. É natural que uma pessoa veja na política, ou num cargo público, uma escada social, uma via expressa ao enriquecimento. Essa competição desenfreada pela riqueza não para nos limites da lei a da “ética”, que os pequeno-burgueses tanto falam. A burguesia defende a punição às transgressões a ela pelos inimigos, e colhe os frutos das transgressões dos amigos. Esse indivíduo, um pequeno-burguês, que é o corrupto, não é o principal no problema da corrupção, ele é apenas a mercadoria.

O outro lado, é o burguês, os grandes banqueiros e empresários. O burguês busca manter as riquezas adquiridas, e, acumular mais. O burguês não tem o mesmo preconceito que o pequeno-burguês, a medida do que ele está disposto a fazer para defender o seu interesse é a medida do que ele pode e precisa fazer. Para um capitalista, uma licitação da Petrobrás representa um grande aumento da sua riqueza, e manutenção da sua colocação no topo da disputa capitalista, se ele não tiver como ganhar dentro das regras, o que o impedirá de usar o poder econômico e político para obter uma vantagem? Claramente não a ética. Esse é o principal no caso da corrupção, a fonte dela, é a burguesia, aqueles que compram os corruptos.

Está então demonstrado que enquanto houver um mercado a ser disputado, ou seja, enquanto existir capitalismo, haverá o uso do poder econômico e político para corromper as instituições e os representantes, veja que isso pode se dar até de maneira legal. Um partido como o PSDB, ir até os grandes capitalistas colher doações milionárias, é, na prática um leilão do partido a quem puder pagar mais, e não a quem votou no partido.

Aumentar penas, retirar direitos e liberdades não vai diminuir a corrupção, afinal a mesma classe que corrompe controla todas as instituições, no caso da santa operação lava-jato, ela está levando ao poder o PSDB, o setor mais corrompido, entreguista do patrimônio nacional e pró-imperialista de toda a política nacional. Na China, a pena para corrupção chega a ser a pena de morte, isso acabou com a corrupção? Não. Diminui de alguma maneira importante a corrupção? Não. Melhorou a vida da população? Não.

Então porque a direita e a esquerda estão fazendo essa enorme campanha contra a corrupção? Para a direita, é demagogia, usam a corrupção como arma moral contra os inimigos políticos. No caso do impeachment de Dilma, a direita tinha uma oposição política ao governo da Dilma, se ele era corrupto ou não pouco importava, mas a burguesia não podia simplesmente falar: “Queremos esfolar o trabalhador, o governo do PT não tem como ir tão longe. Não vamos conseguir fazer isso com eles. Impeachment já!”. Então acusaram o PT de ser o partido mais corrupto do país, de terem falido a Petrobrás por conta da corrupção. A acusação moral apela para os setores atrasados da sociedade, a classe média e a extrema-direita, uma justificativa para mobilizá-los para cumprir o objetivo velado da direita neoliberal e imperialista.

Então, por que a esquerda está fazendo uma frente com a direita nessa “campanha contra a corrupção? A esquerda brasileira, partidos como o PSOL, PSTU, setores do PT e até grupos menores, não tem ligação nenhuma com a classe trabalhadora e ainda é extremamente eleitoreira, ou seja, pauta sua política não de acordo com uma ideologia, com os interesses da classe trabalhadora, mas com o que pensa a “opinião pública” pensa.

Opinião pública lê-se, grandes meios de comunicação da burguesia e poder econômico, se vai ser prejudicial a imagem deles, ou a uma potencial eleição, então deve-se defender a luta contra o corrupção, é uma sombra da demagogia da direita. É comum ver a esquerda pequeno-burguesa se adaptar à campanha de direita ao invés de combate-la, antes da vitória de Hitler, o Partido Comunista da Alemanha abandonou a ideia de “Revolução proletária” e de “internacionalismo” por “Poder Popular” e “Libertação Nacional”, ambas palavras de ordem muito semelhantes à demagogia fascista.

A luta contra o corrupção é uma ficção, normalmente, o setor que faz “campanha contras os corruptos”, veja o caso do PSDB, grande herói da luta contra a corrupção, entregaram todas as posses do Estado que conseguiram a preço de banana.

Dizer que é contra corrupção e usar isso para justificar os ataques brutais às liberdades individuais que a direita está propondo é criminoso. Nenhum corrupto preso vale a Reforma da Previdência que os verdadeiros corruptos estão fazendo, o proletariado precisa de vitórias reais, salário, emprego, liberdades e direitos, construção de verdadeiras organizações de massa, comida na mesa, e não o consolo moral de ter derrotado os “corruptos do PT” enquanto Temer destrói todas as conquistas sociais do último século.

Os partidos de esquerda tem que fazer política de acordo com os interesses da classe operária, a direita defende apenas os interesses da burguesia, o golpe é prova. O consolo de “lutar contra a corrupção” deixamos aos moralistas, e aos hipócritas, afinal essa luta está levando o PSDB ao poder.

A direita usa a campanha contra a corrupção, em palavras, para atacar seus inimigos e levar adiante seus interesses, a esquerda pequeno-burguesa embarca na campanha na esperança de que se pareçam o suficiente com a direita para ganhar algum cargo ou posição.

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