Impeachment não é Fora Temer, é volta FHC!

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Diante dos últimos acontecimentos vou deixar, esta semana, de escrever a coluna relacionada com cultura, pois me vejo obrigado a comentar a ingenuidade da esquerda e de setores anti-golpistas sobre o possível impeachment de Michel Temer.

Finalmente o tema de cultura vai aparecer na coluna desta semana indiretamente. Nos últimos dias veio a tona que o presidente golpista Michel Temer teria pressionado o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero para que este liberasse a construção de um edifício de alto padrão em Salvador no qual o ministro Geddel Vieira adquiriu um imóvel. A notícia resultou na saída de Geddel do governo Temer na última sexta-feira, dia 25.

Estes acontecimentos foram motivo para que o deputado do PT, Lindbergh Farias anunciasse no plenário do Senado que ele, o PT  e até mesmo setores dos movimentos sociais, estariam dispostos a protocolar um pedido de impeachment para Michel Temer na próxima segunda-feira, dia 28. Segundo Lindbergh, “Vamos entrar com pedido de impeachment porque houve crime de responsabilidade, tráfico de influência, ele desmoralizou a instituição da Presidência da República”.

A medida está sendo acompanhada pelo Psol que declarou que vai pedir também o impeachment de Temer.

Toda esta história envolvendo os ministros e Temer, obviamente, pelo menos para os mais esclarecidos e conscientes de que um golpe de Estado  está em andamento no Brasil, não passa de uma campanha da cúpula golpista, PSDB, cartel da imprensa, Polícia Federal e Judiciário, para aprofundar o golpe. Agora é vez de rifar Temer e PMDB. As recentes prisões dos ex-governadores do Rio de Janeiro foram uma prova disso.

O impeachment de Temer não passa de uma manobra golpista na qual a esquerda caiu sem pestanejar. Tanto que a “revolta” com estes acontecimentos já ecoa no meio da direita. A “paladina da justiça”, a musa do impeachment de Dilma Rousseff, Janaína Pascoal, já declarou que está desiludida com o governo Temer. A direita está chamando manifestação contra o Temer e alguns setores já pedem a “união” da esquerda com os golpistas para derrubar o presidente golpista. Para completar o quadro, a imprensa nacional vendida e a internacional já começam a denunciar o caso como um grande “escândalo” do governo Temer.

O que precisa ficar claro é que essa campanha que está se formando pelo impeachment de Temer não passa de uma continuação do golpe, um aprofundamento da política golpista para colocar em prática medidas ainda mais restritivas e repressivas.

A possível saída de Temer do governo já havia sido denunciada como uma estratégia para entregar o controle do País de vez para o imperialismo. O impeachment de Temer vai resultar na eleição indireta pelo Congresso de uma figura muito mais pró-imperialista que ninguém mais, ninguém menos que FHC.

Isso vai reforçar a direitização do regime colocar o poder nas mãos do setor mais pró-imperialista do golpe. Será um aprofundamento da política de cortes de direitos dos trabalhadores e da população e um aumento exponencial da perseguição política da esquerda.

Precisa ficar claro que um golpe de estado, para se consolidar, não precisa necessariamente, se impor da noite para o dia. Basta lembrar que o golpe de 1964 só provocou o fechamento do Congresso quatro anos após ser implantado, com o Ato Institucional no. 5 (AI-5) em 13 de Dezembro de 1968.

O que é mais espantoso na situação atual é que a esquerda é a ponta de lança da campanha golpista para a retirada de Temer.

É necessário a luta contra o golpe, não apenas contra o governo golpista e suas medidas, mas contra todos os golpistas. É necessário uma ampla mobilização popular para impor uma derrota a este governo e todos os golpistas que estão entregando o país de bandeja para o imperialismo.

Lutar agora pelo impeachment de Temer não passa de uma campanha pelo Volta FHC, pois será a saída de um aprendiz de golpista para a entrada do maior vendilhão do patrimônio nacional que o País já teve. Não basta o Fora Temer!

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