Até Oliver Stone sabe que o Brasil sofreu um Golpe de Estado

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João André Silva

A palavra golpe virou palavra maldita – para os golpistas, claro.  A imprensa golpista tenta a todo custo extinguir esta palavra dos telejornais e dos diários impressos e digitais. Quando são obrigados a mencionar o golpe, imediatamente argumentam que o tal golpe não existe, que tudo foi dentro da lei, constitucional.

Mas na última semana os golpistas tiveram um revés diante do lançamento do filme “Snowden – Herói ou Traidor?”, do cineasta norte-americano Oliver Stone. A tal palavra voltou a ser mencionada. O diretor de filmes políticos como “JFK – A Pergunta que não Quer Calar”, “Salvador – O Martírio de Um Povo” e do mais recente, o documentário “Ao Sul da Fronteira” não podia deixar de comentar a situação política no Brasil.

Em entrevista ao portal UOL, o cineasta imediatamente afirmou: “O que fizeram com Dilma é a definição de um golpe de Estado”. Em  seu filme “Snowden” ele abusa de registros documentais para mostrar que a ficção que conta sobre o ex-agente da CIA que revelou ao mundo um sistema global de vigilância contra qualquer cidadão tem consequências reais. Em determinado momento do filme, aparecem o logotipo da Petrobras e a presidenta Dilma Rousseff como alvos dessa vigilância.

Stone não é  único que fala abertamente do golpe no Brasil, diversos jornais internacionais e artistas estrangeiros já se manifestaram a respeito. Aqui no Brasil as manifestações, principalmente artísticas, também não faltam. Declarações de inúmeros artistas foram feitas, músicas contra o golpe foram compostas, atos e protestos convocados liderados por artista,s como as ocupações das secretarias de Cultura de vários estados. E particularmente no cinema as manifestações foram bastante marcantes. Desde que a equipe do filme “Aquarius” se manifestou na sua estreia no Festival Internacional de Cannes em pleno tapete vermelho em maio passado, os protestos se seguiram. Nos festivais de cinema de Gramado e de Brasília os protestos vieram de todos os lados, de cineastas durante a apresentação dos filmes, da plateia e de atores durante as premiações. Até um movimento intitulado “Cinema contra o Golpe” foi inaugurado.

Mas o golpe não existe apenas para esta direita golpista,  o golpe também não existe para a esquerda pequeno-burguesa – ou seria mais apropriado dizer “esquerda powerpoint” ou “esquerda Sérgio Moro”, aquela que acredita que a Operação Lava Jato é simplesmente uma investigação para combater a corrupção no Brasil. O que chama a atenção é que esta esquerda, composta principalmente por PSol e PSTU e alguns grupos políticos menores e praticamente sem influência política alguma, tentam a todo custo não pronunciar a tal “palavra maldita”. O PSTU consegue ir além. Pediu, ao lado da direita coxinha, a saída de Dilma e diz que não houve golpe. Recentemente bateu novo recorde ao declarar que os Estados Unidos, por meio de sua embaixada no Brasil, tentou a todo custo evitar o impeachment da presidenta. O PSol se faz de mudo, fala de golpe quando é conveniente, de acordo com a plateia. Nas últimas eleições, por exemplo, de olho nos votos da classe média despolitizada, não denunciou o golpe, tentou competir com os partidos burgueses, chegando ao cúmulo de apresentar propostas para administração pública que faria inveja aos liberais e neoliberais, pedindo mais repressão, terceirização com responsabilidade e parcerias público-privadas.

O golpe virou lenda para esses grupos. Agora, depois da saída de Dilma, a palavra está quase extinta. Os protestos se resumem à luta contra as dezenas de PECs apresentadas no Congresso golpista. Essa esquerda aceitou o golpe e agora tenta, em vão, combater as medidas golpistas. Eles não enxergam ou não querem enxergar que, após a perseguição do PT e a prisão Lula, serão os próximos alvos. A contribuição que prestam para o desenvolvimento do golpe é significativa.  A direita e a imprensa golpista agradecem.

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