O Partido que quer socar a cabeça dos fascistas na parede

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Rafael Dantas

Da mobilização do MBL para desocupar escolas à invasão da Câmara dos Deputados por uma horda de extrema-direita pedindo uma intervenção militar contra o “comunismo”, os acontecimentos das últimas semanas mostram que a extrema-direita está com a iniciativa na situação política nacional.

São sinais inequívocos de que o fascismo já é um elemento ativo na situação política em uma escala muito maior do que parece à primeira vista para analistas e comentaristas políticos de esquerda e mesmo ainda para uma parcela grande de militantes de esquerda, do próprio partido que levou o golpe do impeachment.

O fascismo não deve ser tomado pela aparência, por mais grotesca que seja. Muito menos pelo discurso. Não se trata meramente de um grupo que tem como cobertura um negro metido a branco, um japonês descabelado e bajuladores de bestas-fera como Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Bolsonaro. É o que está sob essa cobertura que importa.

Sob a fachada produzida para consumo de um público despolitizado e atrasado estão o financiamento de empresários e a organização de brucutus que vem se insinuando sobre as manifestações populares desde, pelo menos, junho de 2013.

Esses brucutus foram novamente vistos em ação no plenário da Câmara, ontem. O fascismo, não resta dúvida, levantou a cabeça.

A questão é: como combatê-lo?

Criticar os fascistas não é, nem de longe, suficiente para impedir o seu avanço sobre as organizações operárias e populares, os movimentos de luta democráticos dos estudantes e do povo trabalhador em geral.

Nosso partido, que foi o primeiro a levantar a bandeira da luta contra o golpe, propôs uma saída: enfrentar o fascismo, fazê-lo recuar e destruí-lo pela força.

O fascismo não é uma corrente filosófica. Não é um pensamento político determinado. É a organização da força bruta para destruir as organizações operárias e populares, os sindicatos, associações e partidos dos trabalhadores.

Como tal, só pode ser devidamente combatido se a ele for oposta uma outra força, mais poderosa, a força da classe operária.

Nossa proposta está fundada na história, muitas vezes inglória, da luta contra a extrema-direita e o fascismo.

Assim fizeram os bolcheviques que repeliram o levante militar do general Kornilov, que pretendia afogar em sangue a Revolução Russa: derrotaram-no pela força das armas, apoiados na massa trabalhadora armada.

Por não lutarem contra o perigo do fascismo, os comunistas (que, no momento decisivo da ascensão de Hitler, diziam que a reformista e moderada Social-Democracia era irmã gêmea dos fascistas) e os social-democratas alemãos sofreram as consequências em toda sua extensão. Sindicatos e sedes partidárias atacadas, incendiadas, e militantes sucumbindo aos golpes de porrete, às prisões e, por fim, às execuções no meio da rua.

As palavras de Trótski sintetizam perfeitamente qual deve ser a atitude de todo aquele que não deseja viver sob o tacão da extrema-direita, instrumento do imperialismo mundial: com o fascismo não se discute. É preciso combatê-lo e destruí-lo.

Para isso, é preciso desde já formar comitês de autodefesa dos trabalhadores para proteger as sedes de seus sindicatos e dos partidos de esquerda, bem como suas manifestações, greves e piquetes, da ameaça fascista. E nesse esforço tomarão parte com todo afinco os militantes do Partido da Causa Operária.

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