Alunos da UFRJ ocupam reitoria

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Na sexta-feira (4), alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) votaram pela ocupação da Reitoria da Universidade a partir de segunda-feira, dia 07.

O reitor da instituição, Roberto Leher, já se posicionou várias vezes contra os desmandos do governo golpista de Michel Temer e tem sofrido pressão do Ministério Público. Leher declarou em nota que “o Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro considera justa e necessária a mobilização social que toma conta do país em defesa dos direitos sociais assegurados originalmente na Carta de 1988 e conclama todos os setores democráticos da sociedade brasileira a se engajarem na defesa do futuro da educação pública, da ciência, tecnologia e inovação, do Sistema Único de Saúde e dos demais direitos humanos fundamentais para o bem-viver dos povos”.

A ocupação da UFRJ soma-se à 170 Universidades já ocupadas.

O movimento estudantil é importante para mostrar para os golpistas que há resistência da juventude contra as medidas do governo, porém a luta não deve ser isolada em pautas, como já debatemos nesse Diário. A luta deve ser unificada contra o golpe, denunciar a PEC 55 (do corte de gastos). Ignorar o golpe como um todo não barrará as investidas golpistas contra a população.

As ocupações das escolas têm como objetivo criar uma opinião pública contrária à PEC e demais medidas na tentativa de influenciar o Parlamento. Os estudantes vão ao Congresso Nacional buscar “sensibilizar” um bando de calhordas da justeza e legitimidade da luta. O movimento busca criar uma pressão contra a aprovação.

Em contrapartida, o governo golpista e a direita vão ganhando espaço no sentido prático. Encurralando as ocupações com a campanha da imprensa contra os estudantes; utilizando suas instituições contra as ocupações e o monopólio da imprensa. A Polícia Militar desocupa escolas sem mandado judicial, o judiciário autoriza práticas de tortura contra os estudantes, e a direita organiza em conjunto com capangas a intimidação contra os estudantes.

O governo do Paraná, estado em que a maioria das escolas foram ocupadas, organizou junto com o MBL (Movimento Brasil Livre) uma desocupação violenta. O grupo, MBL, é ligado ao governo e paramilitares, e é apoiados de maneira legal para atacar os estudantes, e isso vai piorar pois a direita está se organizando para acabar com os movimentos o que é uma prática tipicamente fascista.

É importante ressaltar que inexiste qualquer base militante do MBL. O que sustenta o movimento é o dinheiro vindo diretamente da burguesia imperialista e também nacional. Se trata de sanguessugas cuja função de existência política é contribuir para a consolidação de um regime cada vez mais de caráter fascista e de ataque às organizações dos trabalhadores.

Embora o movimento de ocupações tenha um caráter confuso com relação ao golpe de Estado, a burguesia aposta suas fichas na desocupação forçada por meio de seus capatazes, com medo de que o movimento fique forte e organizado. Para fazer vitoriosas essas mobilizações é preciso ampliá-las e generalizá-las para todo o País, transformá-las em partes de uma luta geral, de estudantes e trabalhadores contra o golpe.

Isso porque não é possível deter a política destrutiva do ensino público por meio apenas de uma luta setorial. Pior ainda se as ocupações se restringirem a lutas isoladas, que não ganhem as ruas, unificando estudantes, professores e trabalhadores, e suas organizações de luta contra o regime golpista.

A luta atual deve servir também à educação política de milhões de jovens e trabalhadores no sentido da necessidade de uma luta geral dos explorados contra os golpistas que querem impor um retrocesso sem precedentes não apenas na Educação, mas no conjunto das condições de vida da imensa maioria do povo brasileiro.

Os partidos de esquerda devem apoiar as ocupações, mas não entrar na romantização do movimento da “primavera secundarista” que a esquerda pequeno-burguesa gosta de promover, como se fosse um acontecimento espontâneo que não precisa de orientação política; deve-se organizar uma ampla mobilização contra o golpe de Estado. Uma agitação e propaganda intensa nas porta das escolas, em conjunto com a classe trabalhadora contra todos os golpistas e seus planos de desmonte do ensino público e todos os ataques contra à classe trabalhadora.

Deve-se aproveitar todos os locais que a esquerda tem acesso, como as escolas ocupadas, e formar comitês de luta contra o golpe. Os golpistas no poder não vão barrar seus próprios projetos, nem muito menos a truculência e repressão policial contra professores, estudantes e partidos de esquerda só tende a aumentar.

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