5 motivos por que Hillary não seria melhor que Trump

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Donald Trump, do partido Republicano, ganhou as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Suas declarações contra estrangeiros e programas sociais chocaram muita gente, o que lhe deu a alcunha de fascista. Nos meios de comunicação da burguesia, no Brasil e do imperialismo, há uma visível tristeza com a sua eleição, o que se reflete nas redes sociais, incluindo muitos setores de esquerda, tristes com a sua eleição.

Certamente, a eleição de Trump não é algo positivo, mas também a vitória de Hillary Clinton também não seria. Destacamos abaixo cinco pontos que mostram que a eleição da candidata democrata não seria melhor que Trump no poder.

Antes de começar a lista, vale citar uma frase dita pela própria candidata, que reflete que seu discurso eleitoral vale muito pouco, por isso nos focamos principalmente no que já fez e nos apoios que teve.

 

“Você deve ter uma posição pública e uma posição privada na política”

Discurso privado e pago de Hillary Clinton

  1. O apoio do capital financeiro

A campanha milionária de Hillary foi bancada, em grande parte, pela doação vinda do sistema financeiro, o setor mais parasitário e reacionário do capitalismo. Os principais setores do imperialismo estavam em campanha por Clinton. Mesmo capitalistas tradicionalmente ligados ao partido Republicano declararam apoio a Hillary contra Trump, principalmente os capitalistas que apoiaram a candidatura de Jab Bush nas primárias republicanas. Entre eles está Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo.

Segundo denúncia de Julian Assange, Clinton e Estado Islâmico são financiados com mesmo dinheiro. Como prova disso, cita que um dos principais financiadores do EI é a monarquia da Arábia Saudita e que “a Fundação Clinton que recebe rios de dinheiro dessas mesmas monarquias que financiam o terrorismo sunita no Oriente Médio” (causaoperaria.org.br).

Para além das doações milionárias que a candidata ganhou, há fato póstumo que evidenciou o apoio do sistema financeiro. As principais bolsas de valores dos EUA e da Europa despencaram nesta quarta-feira (9), após o anúncio de sua derrota.

2. O intervencionismo internacional

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Como secretária de Estado, entre os anos de 2009 e 2013 do governo Barack Obama, Hillary dirigiu a política de intervenção dos EUA na política do mundo inteiro. Esta política foi amplamente denunciada pelo portal Wikileaks, mostrando a atuação do governo na espionagem internacional, no financiamento de grupos de oposição em países governados por governos não totalmente alinhados à política norte-americana e a derrubada de governos.

Clinton teve participação direta em grande parte dos golpes de Estado deflagrados em vários países nos últimos anos. Na América Latina, a candidata derrotada apoiou o golpe de Honduras, reconhecendo-o como legítimo. Ainda que o golpe no Brasil não tenha acontecido sob o seu mandato na Secretaria de Estado dos EUA, o governo Obama apoiou os golpistas, sendo o primeiro governo a reconhecer a legitimidade do impeachment de Dilma Rousseff. Outros golpes, como as seguidas tentativas na Venezuela, a derrubada do presidente Fernando Lugo, no Paraguai, a eleição de Maurício Macri, também têm a atuação direta dos Estados Unidos. E esta é a política de Hillary.

O resultado mais nefasto desta política de intervenção na política de outros países são as inúmeras guerras apoiadas pelos EUA, o que nos leva ao próximo ponto.

3. A candidata das guerras

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Clinton é um instrumento dos mercadores da guerra. Muitas das guerras apoiadas pelos EUA foram consequência de uma tentativa de golpe de Estado. A Síria, principal alvo de Hillary, e a Ucrânia são dois exemplos claros disso. Mesmo já estando afastada do cargo no governo, a democrata militou ativamente a favor das derrubadas do governo de Bashar al-Assad, no país o oriente médio e do governo ucraniano de Viktor Ianokovich. No primeiro, a guerra e o financiamento de grupos rebeldes tem sido o meio escolhido para tentar derrubar o governo; no segundo, a guerra foi uma resposta da população do leste do país, que resistiu ao golpe.

O apoio de Clinton às guerras é histórico, tendo apoiado a invasão do Iraque e praticamente todas as operações feitas pelo governo até hoje. Devido ao seu repúdio ao governo de Vladimir Putin, na Rússia, muito se especulava também que a sua vitória nas eleições poderia resultar em uma guerra direta contra o país, contra o qual já se enfrentaram indiretamente, tanto na Síria, quanto na Ucrânia. Alguns analistas especulavam que isto poderia ser o início de uma terceira guerra mundial.

4. O monopólio da imprensa burguesa

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Praticamente toda a imprensa norte-americana apoiou a candidata derrotada, incluindo grupos tradicionalmente republicanos. Mesmo no Brasil, a campanha da imprensa burguesa nacional a favor dela, com direito a reportagens e editoriais elogiosos à candidata. Como se sabe, dificilmente o que tem o apoio desta imprensa venal tem algo de positivo para o restante da população.

O massivo apoio da imprensa à candidata não começou nas eleições. Nas prévias, os grandes grupos da imprensa fizeram um grande esforço para que ela fosse a candidata do partido Democrata, contra o candidato esquerdista, Bernie Sanders.

Segundo levantamento publicado no portal Wikipedia, um total de 500 publicações declararam apoio direito a Hillary Clinton, contra 25 que apoiaram Donald Trump, durante a campanha. Trump ainda teve uma rejeição maior que seu apoio, com 32 publicações chamando a não votar nele, enquanto a candidata derrotada teve a mesma reação de apenas uma publicação.

5. Política interna

A eleição de Barack Obama foi cercada de demagogia com a questão do negro nos Estados Unidos e chegou a iludir setores da esquerda e do movimento negro norte-americano de que a situação do negro poderia melhorar no país. Mas foi durante os governos de Obama que ocorreram as maiores manifestações de negros, principalmente contra a violência policial promovida contra negros. A campanha de Clinton também tem sua parcela de demagogia, com mulheres, negros  e outras minorias no país, mas desta vez a campanha teve um impacto muito menor, seja pelo caráter direitista da candidata, seja pela experiência com o atual governo.

A política de Hillary seria uma continuidade do que tem sido feito dentro do país há anos, principalmente em relação à espionagem, como falamos em relação ao cenário internacional, e a repressão. Apesar de condenar os assassinatos de negros pela polícia, a política defendida por Clinton sempre foi a de endurecimento e aplicação da lei.

Durante o governo de seu marido, Bill Clinton, foi aprovada a Lei de Controle do Crime Violento e de Imposição da Ordem, o maior pacote de medidas de segurança pública já aprovado nos EUA. Esta lei aumentou penas e colocou mais policiais nas ruas, o que, consequentemente, aumentou muito a repressão, sobretudo aos mais pobres e aos negros. O projeto de Hillary anda no mesmo caminho.

Um fator importante, também em relação à segurança pública da ex-candidata democrata, foi a defesa da criação de leis que visam o desarmamento da população, defendido principalmente após o atentado ocorrido em uma boate em Orlando. O desarmamento da população é uma exigência dos principais setores do imperialismo, sobretudo em momentos de maior instabilidade política, para dificultar um possível levante armado contra o governo ou mesmo para impedir os negros de fazerem a sua autodefesa.

 

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