Mais uma capitulação! “Oposição” deixa caminho livre para a destruição do Plano de Saúde dos Correios

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No mês passado (20 de outubro) se constituiu uma Comissão Paritária, entre representantes dos trabalhadores dos Correios e representantes da direção da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos que negociará mudanças no Plano de Saúde da categoria.

As cláusulas que regem o plano de saúde dos trabalhadores dos Correios deveriam ser determinadas no Acordo Coletivo de Trabalho, encerrado no mês de setembro de 2016, no entanto, a maioria dos sindicalistas dos Correios aceitou que a direção da ECT estabelecesse uma Comissão Paritária para definir as cláusulas do Plano após a assinatura do acordo, ficando em aberto às regras que determinam o funcionamento do Plano.

Desse modo, os sindicalistas dos Correios ligados a Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios – facilitaram que a ECT possa atacar o Plano de Saúde da categoria no momento em que a categoria esteja desarmada.

Para piorar, a direção da ECT, com ajuda e complacência de todos os sindicalistas da Fentect, conseguiu enfiar na mesa paritária seus principais aliados, os sindicalistas traidores da Federação Fantasma – Findect, Federação criada pela ECT nos anos 90, justamente para dividir e confundir os trabalhadores dos Correios.

Essa Federação Fantasma, que sequer é registrada no Ministério do Trabalho, é controlada por sindicalistas do PMDB de Bauru, interior de São Paulo e do PCdoB do Rio de Janeiro e de São Paulo, participou das mesas de negociação da campanha salarial de 2015 e 2016, sem que nenhum grupo da Fentect contestasse sua legitimidade, pelo contrário, a diretoria da Fentect por unanimidade aprovou a unificação com esses traidores para campanha salarial de 2016.

Tremedeira na burocracia sindical

Sabendo que a direção da ECT pretende repassar as contas dos gastos do plano de Saúde para a categoria, com a cobrança de mensalidades, os sindicalistas que se dizem de oposição na Fentect, Intersindical e LPS (Luta Popular e Sindical), após defender a unidade com os pelegos da Findect apresentaram uma política de fuga da mesa paritária, cada um a seu modo.

A Intersindical, corrente política ligada aos sindicatos de Santa Maria/RS, Paraná, Campinas, Mato Grosso, Bahia e Ceará, que inclusive foram fiadores do Acordo Coletivo de Trabalho de 2016, dizendo que com a assinatura do acordo, o Plano de Saúde estaria resguardado, deixaram de enviar seu principal negociador, o pelego de Ribeirão Preto, Rogério Ubine, para enviar um jovem e inexperiente integrante do grupo, Vitor Islam do Pará, numa clara demonstração de que não farão nenhum embate sério nessa mesa.

Já ao grupo da LPS – Luta Popular e Sindical – liderada pelo sindicato de Minas Gerais, coube o papel mais vergonhoso, o de literalmente fugir da mesa paritária, com o argumento “pseudo” combativo de que a mesa paritária é uma armadilha e é composta em sua maioria de elementos patronais.

Com esse argumento, a LPS, que foi o principal setor da oposição a permitir a Bandalheira do Congresso da Fentect de 2015 deveria abandonar seus cargos na Federação.

Mais de 70% da diretoria da Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios é composta de sindicalistas pelegos e patronais, pois as chapas vencedoras do Congresso da Bandalheira, do PT e do PSTU foram criadas diretamente pela direção da ECT.

Além do mais, a categoria só se encontra nessa encruzilhada, de ter que negociar o plano de saúde após a campanha salarial, graças à política sucessiva de capitulação da LPS, que avalizou o Congresso fraudado da Fentect, quando se poderia impedir a fraude, através da anulação do Congresso pela Oposição, mas preferiram avalizar o Congresso, com o argumento de que deveriam estar lá dentro para “combater” os pelegos.

No entanto, nas duas últimas campanhas salariais, após o Congresso da Bandalheira, não foi isso que aconteceu… pois em nenhum momento se viu a LPS dentro da Fentect combatendo a política do PT e PSTU de unificação da Fentect com a Findect- Federação Fantasma, e a volta da unidade do Bando dos Quatro.

Pelo contrário, apoiou a política de unificação da pelegada no Conrep – Conselho de Representantes da Fentect de 2016 – colaborando para entregar o controle da negociação da campanha salarial de 2016 para os sindicalistas do PCdoB do Rio de Janeiro e de São Paulo, permitindo, sem luta que a Findect- Federação Fantasma sentasse a mesa de negociação da categoria.

LPS – mais um grupo da burocracia sindical dos Correios

A renúncia da LPS em participar da mesa paritária para negociar o Plano de Saúde, quando esse grupo avalizou todas as fraudes e manipulações da burocracia sindical do PT, PCdoB e PSTU, desde o Congresso da Bandalheira no movimento sindical dos Correios, só mostra que esse grupo não tem envergadura política para combater em nada a burocracia sindical nos correios, pelo contrário é mais um setor que se mistura a burocracia sindical, ajudando a burocracia manipular os trabalhadores para facilitar a política de ataques da Direção da ECT contra a categoria.

É bom aqui recordar que a LPS vem apoiando a ADCAP – Associação dos Administradores Postais dos Correios – nas últimas eleições do Postalis – Fundo de Pensão complementar dos Correios – que por “Coincidência” era a mesma posição dos setores do PMDB da Findect.

Um grupo que de fato, fosse contra a burocracia sindical, teria que participar da mesa Paritária, e no interior das negociações, se contraporem aos acordos feitos pela burocracia com a direção da ECT, a fim de poder denunciar de forma vigorosa para categoria.

A LPS quer apresentar essa política covarde, de fugir de uma negociação da categoria, sem apresentar nenhuma politica concreta para categoria lutar contra a burocracia, comparando-a a política da corrente Ecetistas em Luta/PCO que em 2014 propôs o boicote da negociação através da MNNP – Mesa Nacional de Negociação Permanente – criada pela direção da ECT, de forma ilegal, intervencionista, de negociar com os sindicatos individualmente, ao invés de negociar com a Fentect- Federação que representa legitimamente os trabalhadores em âmbito nacional.

Uma manifesta intervenção na organização sindical nacional, ainda mais quando quem estava à frente da Fentect eram os militantes do PCO – Partido da Causa Operária.

Nesse momento, não existe uma política para se contrapor à Mesa Paritária, pois ela foi constituída no Acordo Coletivo de Trabalho, a Fentect está negociando, não são os sindicatos individualmente, até porque a Fentect, graças à capitulação da LPS, está novamente sendo controlada pela direção da ECT através dos grupos do PT, PSTU com a ajuda do PCdoB.

A política da LPS é o de simplesmente deixar o caminho livre para que a direção da ECT e a burocracia sindical, do PT, PCdoB e PSTU possam realizar o acordo do pagamento da mensalidade ao seu bel prazer, sem nem mesmo criar nenhum problema para a burocracia sindical.

Facilitando inclusive que a burocracia sindical tenha mais força na mesa paritária, já que a vaga da LPS será ocupada pelo pelego Hálisson Tenório do Sintect-PE (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Pernambuco) conhecido pelo apelido de Hálisson “Aecinho”, já que é um sindicalista eleitor de Aécio Neves do PSDB.

A LPS é mais uma organização no movimento sindical dos Correios de tipo PSTU, que concorda com todos os meios da burocracia sindical, só não quer se comprometer em assinar os documentos e “negociatas” com os “impuros” sindicalistas do PT, PCdoB lavando as mãos como verdadeiro Pilatos na hora que os trabalhadores precisarem lutar de fato contra essa burocracia.

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