Quem é autoritário?

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O colunista da Folha de S. Paulo, Hélio Schwartsman, escreveu ontem que os estudantes que ocuparam suas escolas no Paraná estão sendo… autoritários!

Em que consiste esse “abuso” da parte de jovens secundaristas, na opinião do “sábio” colunista? Impedir que seus colegas tenham aulas para que seu protesto contra a PEC 241 e a MP do ensino médio seja ouvido.

É a mesma reclamação, já centenária, dos patrões contra os trabalhadores grevistas. Os petroleiros não podem cruzar os braços porque o povo vai ficar sem gás de cozinha. Os eletricitários vão deixar todos no escuro. Os carteiros, pilhas de cartas e encomendas. Os condutores de trens e ônibus impedirão milhões de irem e virem. As passeatas atrapalham o trânsito…

A greve impede a “produção” dos bondosos patrões (mais especificamente, impede a produção dos demais assalariados, já que patrões, por definição, nada produzem). Por essa lógica, o protesto impede a democracia.

Nesse caso, como ocorre quase sempre com a “liberal” Folha de S. Paulo, o interesse capitalista, reacionário, vem coberto de um verniz esquerdista, democratizante.

Schwartsman acusa os estudantes de não serem solidários com os colegas que querem ter aulas ou fazer o Enem, mas… acha importante que os estudantes se envolvam com política.

Ele considera que, embora protestar contra a reforma educacional seja justo – porque a voz (e a força) dos estudantes “precisa ser ouvida” – esse protesto é vão, desnecessário porque está desorientado. Os estudantes que protestam não são tão sábios quanto um filósofo do quilate de Schwartsman, que escreve seus conselhos coberto pela autoridade moral da Folha de S. Paulo.

Mas o que Schwartsman não explica é que, se os estudantes estão apenas protestando, por que é que eles são autoritários, e não a polícia, que reprimiu duramente esses protestos?

Embutida na defesa do “direito democrático” de terem aulas e fazer provas está a defesa do Estado autoritário e repressivo, do seu braço armado, herança da ditadura militar. A acusação dirigida aos estudantes, nesse caso, fala o suficiente de quem os acusa. Trata-se de calar o protesto para deixar que soem apenas as bombas, os tiros e os gritos dos oprimidos.

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