O Partido do futuro

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Rafael Dantas

O golpe de Estado continua avançando e tudo indica um agravamento do regime repressivo instaurado contra a vontade popular, com um ataque demolidor às condições de vida do povo pobre e trabalhador. A supressão dos direitos democráticos, a subtração de conquistas históricas da classe trabalhadora e a liquidação do patrimônio nacional em favor do parasitismo imperialista caminham a passos largos.

Realizadas sob o golpe – que já se desenvolve há mais de dois anos, como nosso Partido vem denunciando sistematicamente – as eleições municipais desse ano provocaram enorme frustração para a maioria da esquerda, que amargou um retrocesso conjunto na sua votação.

À sua maneira, o segundo turno no Rio de Janeiro serviu para responder à pergunta: “aonde vai a esquerda”?

Toda a esquerda pequeno-burguesa que se reivindica revolucionária e socialista (PSTU, PCB e uma miríade de organizações), mas que na prática é incapaz ir além da fraseologia revolucionária e da ação conciliadora com a burguesia,  se colocou a reboque da candidatura de Marcelo Freixo, alimentando a ilusão de que sua eleição mostraria que o Psol é a alternativa ao PT. Foram desmentidos, não pela derrota em si, mas pelo mapa eleitoral que revelou que o apoio a Freixo se concentrou nos bairros da classe média e da burguesia na zona Sul do Rio de Janeiro.

O mapa eleitoral e o programa levantado pelo Psol revelaram que esse partido não possui (nem aspira) o apoio da classe operária. Há uma delimitação clara do terreno. Nesse sentido, o Psol não tem nada a ver com o PT. É um partido da classe média semi-direitista, semi-esquerdista, que se esforçou para obter um resultado pegando carona na campanha moralista, vil, da direita golpista contra o PT.

Houve, portanto, um deslocamento à direita de toda a esquerda pequeno-burguesa, evidenciado pelo crescente abandono da demagogia socialista (o racha no PSTU, a adesão de diversas organizações pseudo-trotskistas à candidatura do Psol etc.) e pelo fato de que a liderança dessa guinada direitista – o Psol – tende a ir ainda mais à direita (com exemplos abundantes em toda sua campanha eleitoral, como os elogios de sua ex-candidata presidencial, Luciana Genro, a Sérgio Moro, a Lava-Jato e a República do Paraná).

Ao mesmo tempo, está presente na situação uma tendência oposta, ao deslocamento à esquerda, no sentido revolucionário, de uma parcela importante da população, da classe operária e da juventude. Essa tendência precisa ser impulsionada, precisa tornar-se consciente, aprofundar-se e delimitar-se da confusão política e ideológica representada pela esquerda pequeno-burguesa em todos os seus matizes.

Essa polarização política é apenas um aspecto da tendência ao desenvolvimento revolucionário da situação.

A Revolução (coisa a que não almejam os demagogos da esquerda pequeno-burguesa), por sua vez, não se manifesta apenas pelo descontentamento das massas com o regime, ou simplesmente como uma explosão, um ato de desespero dos oprimidos contra seus opressores (e muito menos nas eleições). Ela deve ser desenvolvida ativamente, pela preparação da ação das massas, por sua educação e organização consciente.

Para preparar o caminho, para reunir as forças e criar as condições para a classe operária dirigir a luta de milhões em nosso País pelo futuro comunista da humanidade, é preciso construir um Partido, o Partido do futuro, da revolução proletária, do governo operário e do socialismo.

É nesse esforço que se empenham os militantes do Partido da Causa Operária nesse momento, imbuídos dessas ideias e impulsionados pelo crescente apoio recebido na luta contra o golpe e pelo crescimento e fortalecimento partidários manifestados no último período.

 

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