Equidade salarial é inalcançável no regime capitalista

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A desigualdade da mulher no capitalismo vem se aprofundando, sobretudo nos países explorados. A discussão de por quê isso ocorre e tudo o que se refere à opressão da mulher é apresentada como sendo apenas uma questão de gênero, influência direta do feminismo pequeno burguês.

De acordo com o Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016 do Fórum Econômico Mundial, publicado em Genebra, a diferença salarial entre mulheres e homens no Brasil é uma das maiores do mundo.

A igualdade salarial entre os sexos levará um século se o ritmo atual de progresso for mantido. Em termos gerais, incluindo política, educação e outros aspectos sociais, equiparar as condições entre sexos no País levará 104 anos. A diferença salarial no Brasil entre homens e mulheres em cargos executivos é de mais de 50%. No que se refere à renda média, a brasileira ganha por ano US$ 11,6 mil. Já a renda média dos homens brasileiros é de US$ 20 mil.

A relação entre as classes sociais é quem determina a opressão que será sofrida pelas pessoas. Como, uma mulher da classe dominante explora uma mulher da classe trabalhadora, uma idosa pode explorar outra idosa, um negro pode explorar outro negro. A luta da emancipação da mulher, então, deve ter como cerne a luta de classes.

O erro da análise nas questões da desigualdade entre homens e mulheres, é ignorar que essas diferenças têm origem na classe social. É interesse da burguesia perpetuar a exploração da mulher, do negro, etc., seja em mão-de-obra barata, seja na imposição às mulheres da escravidão doméstica. Por esse motivo que em uma sociedade capitalista e direitista temas de saúde pública e direito das mulheres como o aborto são ignorados, ou tratados apenas no âmbito da moralidade.

O real motivo da desigualdade salarial entre os sexos é o interesse que a burguesia tem de manter em seu sistema mão de obra barata. Não se pode liberar a mulher da dominação enquanto ela não esteja em condições de garantir plenamente suas condições materiais de vida. E se não enfrentar o capitalismo, a luta não terá resultado, porque não mudará o regime que mantém a mulher atrelada ao papel tradicionalmente destinado a ela pelo modo de produção capitalista: o de garantir a escravidão doméstica e assim baixar o custo da força de trabalho.

O que, por outro lado, não quer dizer em absoluto que a luta por direitos democráticos das mulheres deve ser abandonada. Pelo contrário, essa luta tem que ser levada adiante às últimas consequências, inclusive para servir de experiência para o movimento de mulheres com o regime burguês.

É necessário analisar a situação da mulher e de outros setores oprimidos com base nas forças sociais conflitantes das classes fundamentais. Sendo exploração resultado da luta entre as classes sociais, faz-se imprescindível relacionar a luta das mulheres como parte de um movimento legítimo contra a exploração, em conjunto com a luta da classe trabalhadora.

Nesse sentido, o ponto de união entre as mulheres deve ser a identidade de classe, uma vez que é da contradição de classe que emergem as desigualdades, opressão e exploração que marca a vida das mulheres trabalhadoras. Portanto, não se pode analisar a opressão da mulher isoladamente das relações entre as classes sociais.

Restringir o problema a uma questão de sexo esconde a relação econômica que separa homens e mulheres das diferentes classes.  Apesar de sofrerem com a opressão, mulheres sofrem de forma diferente e as saídas para elas são diferentes, de acordo com a classe social a que pertençam. Acabar com a opressão no capitalismo demanda uma luta coletiva, e depende diretamente das transformações na estrutura econômica da sociedade.

Sendo assim, a equiparação salarial entre homens e mulheres não será suprida enquanto a luta pela emancipação das mulheres não estiver em aliança com a luta da classe trabalhadora, contra o capitalismo, a direita, e, mais urgente, contra o golpe de Estado no Brasil.

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