Com quantos assassinatos se faz uma democracia

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Juliano Lopes

O mês se encerra com novos dados sobre a violência policial, e um dos mais significativos é o que mostrou que a polícia brasileira mata 9 pessoas por dia, em média, de acordo com o 10º Anuário Brasileiro de Segurança, publicado na última semana.

Isso sem considerar os números que não são revelados ou os casos que são apresentados como desaparecimento, como os cinco rapazes da Zona Leste de São Paulo que, após abordagem policial no dia 21 nunca mais foram vistos. São os “Amarildos” da cidade.

O número oficial apresentado pelo estudo é de 3.334 pessoas assassinadas pela polícia brasileira apenas em 2015. É um número que representa que, de fato, o estado tem um inimigo e está à caça: o povo negro, pobre e trabalhador, moradores das periferias e bairros operários do País.

Pois é justamente esse estado que executa quase 3.500 pessoas por ano que deram o nome de estado democrático de direito. Não sabemos a razão desse nome pomposo, mas é difícil imaginar que uma democracia sustente, na verdade, a manutenção de uma rotina macabra de violência contra o povo.

O fato é que a nomenclatura e as leis fornecem apenas uma cobertura democrática ao regime herdado da escravidão, um verniz legal que pretende esconder a tortura e o assassinato de negros e pobres.

Os números de 2015 são quase 10% maiores que os de 2014. Com o golpe de Estado, a política de extermínio do povo agora é oficial e certamente as vítimas da polícia serão ainda maiores que 2016.

Não é por nada que os golpistas nomearam um ex-secretário de segurança de São Paulo para o Ministério da Justiça. Em 2015, por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro concentraram 45% das execuções cometidas pela polícia.

Em uma projeção de 10 anos, se o percentual não aumentar, a polícia brasileira vai assassinar quase 35 mil pessoas. Retroativamente, mantendo um percentual semelhante, a polícia provavelmente já matou 60 mil pessoas em vinte anos. Quer dizer, a simples existência da polícia revela o caráter fascista do regime.

Os números de mortos pelo regime militar (1964-1985) não conseguem bater o funcionamento industrial de execuções cometidas pela polícia nos últimos anos.

A quantidade de mortos pode ser comparada com algumas guerras espalhadas pelo mundo, mas as vítimas aqui estão concentradas em um único lado. Se trata de um massacre, de esquadrões da morte espalhados por todas as cidades.

O pouco que se tinha de garantia constitucional e de legislação democrática escondia uma montanha de cadáveres, mas, mesmo assim, a burguesia não se satisfez. Foi necessário um golpe de Estado para aumentar ainda mais as vítimas da brutalidade policial.

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