O Psol e a direita

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Perci Marrara

A candidatura de Marcelo Freixo no Rio de Janeiro chamou atenção mais uma vez para o caráter direitista do Psol e sua semelhança, já não com o PT, ou seja, com a Frente Popular e a conciliação de classes, mas com a direita mais conservadora e pró-imperialista.

Nada do que vai ser apresentado aqui contraria o que de fato é o Psol. O partido do “Socialismo e Liberdade”, só poderia se parecer com um partido liberal de direita, com uma cara esquerdista. Um partido que de Syryza (como o grego) ou Podemos (como o espanhol) poderia ser chamado de Democrático (como o norte-americano). Essa comparação pode parecer exagerada, mas alguns dados apresentados ao longo deste artigo demonstrarão que, apesar de falar em nome da paz, do combate às opressões (contra mulheres, LGBTs, negros…), combate ao sistema financeiro internacional, indo mais longe, apesar de falar em socialismo, o Psol não passa de mais um partido pequeno-burguês (cada vez mais próximo da burguesia) com fachada esquerdista.

Nas eleições o verdadeiro partido

Quem achava que a saída de Heloísa Helena resolveria a questão se enganou, e muito.

A perspectiva concreta, do ponto de vista do Psol, de Marcelo Freixo, Luciana Genro, ou Procurador Mauro chegarem ao segundo turno e até se tornarem prefeito ou prefeita de capitais brasileiras fez o partido se aproximar da direita, da burguesia de maneira objetiva, prática e programática.

Luciana Genro, candidata à prefeitura de Porto Alegre-RS, mais de uma vez defendeu administrar a cidade para todos, em parceria público-privada, em terceirização e lei de responsabilidade fiscal. Sem falar na sua bajulação típica do monopólio da imprensa burguesa do “combate à corrupção” supostamente feito pela Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, o que foi expresso em post eufórico nas redes sociais após a prisão de Eduardo Cunha.

O Procurador Mauro de Barros, candidato a prefeito de Cuiabá-MT, nessas últimas eleições, para desfazer as mentiras contadas pelos opositores fez um vídeo mostrando que sua candidatura poderia ser definida como qualquer coisa, menos de esquerda ou socialista. Os seus inimigos o acusavam de ser a favor do aborto, da legalização das drogas, dos LGBTs e da “erotização de crianças na escola”. “Não é verdade o que eles estão dizendo […] Sou católico praticante. Sou cristão”, esclareceu.

Outras personalidades do Psol, cheio de personalidades e dominado por parlamentares pequeno-burgueses, já eram conhecidas por suas posições à direita, apresentadas principalmente em outras eleições.

Heloísa Helena, ex-senadora e candidata presidencial da Frente de Esquerda (Psol-PSTU-PCB) em 2006, era a rainha da esquerda pequeno-burguesa com programa de extrema-direita.

Usada como fachada esquerdista para a campanha fascistóide contra o direito das mulheres ao aborto, Heloísa Helena foi por anos bajulada por essa esquerda e pela direita. Participante e ativista da campanha Brasil sem Aborto frequentou eventos e manifestações ao lado de gente da Opus Dei e integralistas. Atacou o movimento sem terra sua luta através de ocupações. Fez isso de público, em entrevistas na TV sendo elogiada e aplaudida (por essa esquerda e pela direita), sem nunca ser repreendida pelos partidos que sustentaram sua candidatura.

Luciana Genro que prega que o partido é independente da burguesia, inclusive financeiramente, teve campanha eleitoral financiada pela multinacional Gerdau, pela rede de supermercados Zaffari (um dos ramos de atuação da família de mesmo nome) e pela Taurus.

Tudo isso apenas falando das figuras e candidaturas de maior destaque, ignorando os mandatos parlamentares (deputados federais, estaduais ou vereadores) e no executivo, particularmente Edmilson Rodrigues na prefeitura de Belém, no Pará, que não diferem em nada do que está sendo dito aqui.

Apoio da burguesia a Marcelo Freixo

Nesse sentido, a capa da venal Veja atacando o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PRB, Marcelo Trivela em aberto apoio à Freixo não é de se estranhar.

Aliás, não foi só a Veja. O jornal britânico Financial Times também publicou (leia mais) um perfil desfavorável do candidato pastor evangélico da Igreja Universal. Essa matéria no jornal que é porta-voz dos monopólios imperialistas corrobora a política econômica que o Psol poderia empregar à frente da capital carioca. Afinal, a candidatura de Freixo teve como integrante de sua “equipe econômica técnica e não partidária” Eduarda LaRocque, “economista liberal próxima de Joaquim Levy e de Armínio Fraga, ex-integrante da equipe de Eduardo Paes (PMDB)”.

Como se vê, o Psol e a direita estão muito mais próximos do que se pode imaginar à primeira vista.

Essa relação vai muito além da política do partido nos movimentos estudantil e sindical, onde atuam contra o movimento em permanente capitulação seja diante das reitorias, dos patrões e governos de plantão.

É uma relação objetiva, programática. Típica de um partido oportunista, eleitoreiro que tem sua existência baseada nas eleições e na democracia burguesa. O que nada tem a ver com a esquerda, muito menos com o socialismo.

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