Vítima dos golpistas morre espancado em cadeia

Compartilhar:

Os golpistas fizeram sua primeira vítima fatal. Valdir Pereira da Rocha, 36, foi morto por espancamento, na última sexta-feira, dentro de um presídio no Mato Grosso, após ficar cerca de três meses preso, sob a suspeita de ser terrorista.

Rocha havia sido transferido para Cadeia Pública do Capão Grande, próximo de Cuiabá, no dia anterior à sua morte. Antes ele estava na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), mas foi transferido após ficar mais de um mês sem ser formalmente acusado, com o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público.

Sua prisão fez parte da Operação Hashtag da Polícia Federal, a primeira operação com base na lei antiterrorismo do país. A operação prendeu, nas primeiras semanas, 15 pessoas em nove estados brasileiros que foram encaminhadas para o presídio do MS. Esse caso escancara o momento político em que o País caminhando para uma ditadura.

Esse grupo de pessoas foi preso sem nenhum indício de crime, apenas por conversas de Facebook; a polícia fez a varredura na casa dos suspeitos mas não encontrou nada. A polícia disse que o grupo estava planejando armar bombas nas Olimpíadas deste ano, o que também não se comprovou.

A esquerda pequeno-burguesa autorizou uma das ações mais ditatoriais que se pode encontrar, para não ir contra a moralidade e a campanha da imprensa burguesa, que, quando cita problemas como o terrorismo, drogas e corrupção, pretende impor uma determinada mentalidade direitista, e que a esquerda capitula abertamente.

Rocha, morto vítima de espancamento, não teve direito de defesa, nem provas, apenas acusações superficiais contra ele. Sua morte foi resultado da política da direita, dos golpistas. Em entrevista coletiva, o ministro golpista da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que os suspeitos foram presos por “apologia ao terrorismo” em conversas que aconteciam em grupos do Whatsapp e Telegram. Ou seja, prenderam o grupo apenas por conversar sobre essa questão.

A advogada da família denuncia que logo que chegou no presídio, os agentes penitenciários espalharam a notícia entre os presidiários de que ele seria de um grupo terrorista que executaria crianças. A direção do presídio também impediu que ele tivesse contato com assistente social e a exame de corpo de delito, procedimento de praxe nos presídios.

A situação é alarmante. Qualquer pessoa que alegadamente agir contra o Estado e os golpistas pode, agora, simplesmente ir para a cadeia sem prova alguma e morrer. A população mais pobre é a principal vítima do abuso da justiça burguesa, pois esses abusos são facilmente escondidos pela imprensa.

É preciso combater totalmente a política repressiva do estado; a principal vitima da repressão é sempre a população mais pobre, a classe trabalhadora e a esquerda. A lei antiterrorismo e a operação Hashtag são as ferramentas legais do golpe, utilizada com um único fim: atacar os movimentos sociais.

A segurança nas Olimpíadas foi apenas a desculpa para, agora, colocar opositores atrás das grades, tudo chancelado pelo judiciário golpista e com cobertura da imprensa burguesa.

artigo Anterior

“Presentes de natal”, por Pedro Nathan

Próximo artigo

Golpistas perseguem Lula e sua família

Leia mais

Deixe uma resposta