É preciso colocar abaixo o regime político antidemocrático

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Por uma arte que lute contra o golpe 1

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Henrique Áreas de Araujo

A adaptação da esquerda pequeno-burguesa ao regime político burguês não é uma exclusividade do Brasil. Na verdade, a esquerda brasileira segue a tendência internacional de suas organizações europeias. Esses grupo se integraram ao regime “democrático” e são identificados com ele. O regime democrático que a cada dia se torna mais antidemocrático contra os trabalhadores.

A atitude da esquerda brasileira diante do golpe de Estado é explicada por esse fato: uma completa adaptação ao regime burguês que leva à ilusão de que esse regime é a melhor coisa que pode existir no mundo.

A direita, ou melhor, o imperialismo não nutre nenhuma ilusão na democracia. Para ele, democracia é apenas uma cobertura ideológica para cometer atrocidades pelo mundo. É o que acontece com o golpe de Estado no Brasil. Enquanto a direita pró-imperialista passa por cima de todos os direitos do povo, inclusive com o que restava do chamado Estado de direito, a esquerda se recusa a romper com esse regime político e acredita que tudo será resolvido se o espírito democrático for invocado. Há mais misticismo do que política no comportamento da esquerda pequeno-burguesa.

O exemplo da Europa deveria servir de alerta para a esquerda no Brasil. Já é um consenso que os partidos da extrema-direita conquistam cada vez mais apoio de setores da classe trabalhadora. Fazemos a ressalva aqui que não se trata especificamente dos setores mais avançados da classe operária. Mas é fato que as posições de partidos como a Frente Nacional Francesa e o UKIP na Inglaterra tem agrupado cada vez mais setores dos trabalhadores.

A esquerda pequeno-burguesa, como é típico de um comportamento de classe média, coloca a culpa nesse fenômeno na própria classe operária que seria “despolitizada”, “alienada”. Mas não se trata disso. O fenômeno é bem mais simples e de certa forma revolucionário.

A classe operária, muito menos alienada do que a esquerda de classe média, já percebeu que o tal regime “democrático” é na verdade uma farsa usada para arrancar o couro do povo. Diante disso, nada mais natural e – por que não dizer – revolucionário que os trabalhadores busquem uma política que se coloque em frontal oposição a esse regime democrático podre. E quem encontram? A esquerda completamente devota do regime democrático e uma extrema-direita que no discurso aparece como inimiga desse regime.

A extrema-direita está capitalizando setores da classe operária não porque a classe operária esteja indo para a direita mas porque não existe uma esquerda revolucionária, que aponte que é preciso destruir esse regime político, que é preciso denunciar os capitalistas que estão roubando o trabalhador e ao mesmo tempo que denuncie que a extrema-direita é na verdade a parte mais nociva desse próprio regime dominado pelos capitalistas.

A esquerda pequeno-burguesa e sua devoção à democracia estão jogando a classe trabalhadora – ou parte dela – nos braços da extrema-direita. Não vai demorar muito para que os trabalhadores entendam o verdadeiro significado do fascismo: a destruição completa de suas condições de vida. O mais provável é que quando os trabalhadores despertarem vão deixar para trás essa esquerda pequeno-burguesa.

No Brasil, é preciso romper com todas as ilusões democráticas. É preciso mobilizar as amplas massas de trabalhadores sob um política independente e portanto revolucionária, que coloque claramente a necessidade de colocar a baixo o regime político burguês, dominado pelos maiores inimigos do povo.

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