A direita argentina odeia as mulheres

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O brutal assassinato de uma jovem reacendeu a questão da luta da mulher na Argentina. Lucía Pérez, de 16 anos, foi drogada, estuprada e empalada na cidade de Mar del Plata, na Argentina. Os assassinos, após abusar sexualmente da jovem, lavaram seu corpo e trocaram sua roupa. Depois a levaram até um centro de saúde e disseram que a jovem tinha ficado inconsciente devido a uma overdose.

Essa é a reconstrução feita pelo Ministério Público de um dos assassinatos mais brutais já registrados na Argentina e que motivou uma manifestação de repúdio para a próxima quarta-feira (19). As mulheres se reuniram no Obelisco, cartão postal de Buenos Aires, no centro da capital, e depois marcharam até a Praça de Maio, onde está a Casa Rosada, sede do governo.

Na Argentina, as mulheres enfrentam uma média de desemprego que chega a 10,5%, e uma diferença salarial que em alguns casos batem 40% em relação aos homens. Além de uma taxa de agressões contra as mulheres que em 2008 aumentou 78%, e em 2015 foram registrados 286 mortes de mulheres. Quase 80 a mais que na década anterior.

O aumento das agressões e morte contra as mulheres argentinas é explicado pela política direitista que o país vive desde a posse do presidente Maurício Macri. No dia 2 de Setembro, um grande protesto tomou conta das ruas de Buenos Aires contra as políticas econômicas do governo Macri que atacam a população.

Diante da política de arrocho promovida por Macri, a população tem sofrido com o aumento do desemprego e a deterioração das condições de vida. Um governo direitista e ditador, como o caso argentino, que ataca a classe trabalhadora, ataca diretamente as condições de vida das mulheres.

É um governo que ataca um dos movimentos mais emblemáticos de resistência às ditaduras em todo o mundo, que é o movimento das Mães da Praça de maio. Macri, tentou prender Hebe Bonafini, líder do movimento das mães da praça de maio, movimento de mães que protestam pelo sumiço de seus filhos durante a ditadura militar. É um governo contra as mulheres.

Um governo que desarticula um departamento criado durante os governos Kirchner ligado ao movimento Avós da Praça de Maio. Um órgão era encarregado de investigações conduzidas para localizar filhos de presos políticos roubados durante a ditadura, filhos dos militantes executados que eram roubados e adotados por casais próximos ao regime de extrema-direita liderado pelo general Jorge Videla, e que surgiu na luta das avós dessas crianças roubadas para encontrá-las.

As mulheres não terão nenhum direito garantido enquanto a direita governar. A direita odeia as mulheres, assim como odeia a classe trabalhadora. A desigualdade da mulher no capitalismo é profunda, sobretudo nos países explorados. A discussão de por quê isso ocorre, geralmente para o feminismo pequeno-burguês, afirma que a opressão da mulher é uma questão de gênero, apenas.

A desigualdade entre os homens e mulheres só pode ser mantida em uma sociedade onde existem dominados e dominantes, e a mulher cumpre uma função social e econômica enquanto ser dominado. Restringir o problema a uma questão de gênero esconde o aspecto econômico que separa homens e mulheres das diferentes classes,

A emancipação real das mulheres só será plena tirando a direita do poder e lutando pela revolução socialista, em conjunto com a classe trabalhadora. A saída para a questão da opressão da mulher não é individual, mas coletiva, e como tal depende diretamente das transformações na estrutura econômica da sociedade. A liberdade completa das mulheres se conquista apenas lutando contra a direita e os golpistas, tanto na Argentina quanto no Brasil, junto com os trabalhadores, pela tomada do poder.

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