Brasil: reforma ou revolução?

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Rafael Dantas

O golpe de Estado sofrido pelo governo do PT trouxe uma questão para o primeiro plano na situação política: aonde vai a esquerda?

O PT governou por quase 13 anos apoiado, em grande medida, nos anseios de uma parcela grande e importante da população por melhorar de vida no regime de exploração e opressão que é o capitalismo.

Isso só foi possível, naturalmente, porque a própria direção do PT (com muito mais consciência e convicção do que seus eleitores) sempre defendeu que era preciso “combater a miséria e oferecer oportunidades para o povo brasileiro” sem mexer, no essencial, no funcionamento político e econômico do País.

Isto é, desejavam reformar a sociedade capitalista, fundada na dominação e exploração de uma classe sobre as demais, sobre a base da conciliação dos interesses de classes sociais antagônicas, fundamentalmente os da burguesia e da classe operária. Ou, como expressaram em mais de uma oportunidade em seus 36 anos de história, “sem fazer uma revolução”.

Tentaram e conseguiram, até certo ponto, é verdade. Até que se tornou impossível conciliar e os verdadeiros donos do Estado decidiram expelir o PT do governo.

As pequenas reformas e concessões que o PT conseguiu que o Estado fizesse em favor dos mais pobres – sempre, como também gostam de repetir, assim como zelaram também, e muito mais, pelos mais ricos – estão em vias de serem liquidadas pelo governo golpista e pelos golpistas que ainda não governam de direito.

Aqueles que deram o golpe em Dilma Rousseff e confiscaram o voto de milhões de brasileiros já anunciaram o que está por vir: arrocho, liquidação dos direitos trabalhistas, privatização e entrega de toda a riqueza nacional aos grandes capitalistas etc.

As eleições municipais que acabaram de se realizar causaram uma profunda depressão em toda a esquerda, particularmente nos diretamente mais afetados pelo próprio retrocesso nas urnas. Tomados pela ilusão de que o golpe de Estado recém consumado não era mesmo um golpe, sofreram um segundo baque.

Os próprios acontecimentos estão ajudando a tornar claro uma realidade ocultada por anos pelo próprio PT: reformar o capitalismo, torná-lo mais humano e sustentável, menos desigual e opressor é uma utopia.

Na época histórica em que vivemos, isto é, naquela em que o mundo está dominado pelos grandes monopólios, pelo capital financeiro, a época do imperialismo, as reformas sociais são, em grande medida, inviáveis.

Nessa etapa, as reformas sociais podem ser apenas um meio para a organização da classe operária e das massas oprimidas em torno de seus próprios objetivos, antagônicos aos da burguesia e das demais classes dominantes.

Apenas um programa pode aliviar a dor e o sofrimento dos trabalhadores da cidade e do campo e da esmagadora maioria da população: a revolução social, o fim da propriedade privada, o poder do proletariado e o socialismo, ou seja, a propriedade coletiva da riqueza social por meio do Estado Operário.

A alternativa à bancarrota do reformismo e da colaboração de classes é a construção de um partido operário, que lute por esse programa, que organize a classe operária para lutar pela revolução.

É esse chamado que o Partido da Causa Operária dirige a todos os trabalhadores, suas lideranças no movimento sindical e popular, a todos os militantes que lutam pelo fim da exploração do homem pelo homem: vamos construir esse partido, o partido da revolução proletária, do governo dos trabalhadores e do socialismo.

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