Lutar contra o golpe ou contra cada medida do governo?

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Por uma arte que lute contra o golpe 1

colunistas-henriqueHenrique Áreas de Araujo

Desde os tempos em que o governo golpista era apenas interino, são diárias as notícias de ataques devastadores aos direitos da população. A quantidade de ataques é tão grande que o cidadão comum fica tonto. É como um lutador de boxe que recebe uma sequência de socos e não consegue se defender de maneira apropriada para interromper o ataque adversário. Só mesmo uma contraofensiva, bem colocada, que jogue o adversário para longe, pode fazer a sequencia de ataques parar.

No entanto, há entre a maior parte da esquerda pequeno-burguesa, a ideia de que a luta deveria ser contra cada um dos ataques dos golpistas. Levada ao extremo, essa política obrigaria o movimento a levantar uma palavra de ordem diferente a cada dia. Não precisa ser muito experiente em política para concluir que isso só levaria a uma confusão e descentralização total da luta.

Nesse sentido, o debate que setores da esquerda levantar sobre a PEC 241 mais confunde do que ajuda na luta contra o golpe. Essa PEC, que foi aprovada no Congresso é um ataque sem precedentes, um arrocho fiscal que vai destruir a economia do País. Os acadêmicos da esquerda pequeno-burguesa procuram levantar um debate como se houvesse dúvida sobre isso. Não um debate prático, chamado os trabalhadores e derrotar o golpe, o que significa derrotar as medidas que vão demolir os direitos.

A denúncia da PEC e de qualquer medida dos golpistas só faz sentido se estiver ligada à luta contra o golpe. Sem derrotar o golpe, outras PECs virão. E virão também as reformas da previdência e trabalhista, a destruição da CLT e muito mais. Cada uma dessas medidas são parte de um plano geral dos golpistas, é o programa do golpe sendo colocado em prática.

Sem mobilizar contra esse plano, contra esse programa, é quase impossível derrotar uma medida separadamente e mesmo se acontecesse, seria inócuo. Derrota-se uma PEC, aparecem outras dez parecidas.

É um tipo específico de economicismo da esquerda pequeno-burguesa, que não é nenhuma novidade. É a mesma coisa que acreditar que um trabalhador resolve sua vida apenas lutando pelo aumento salarial. Ignora-se o problema do poder, que é o que vai determinar não só os salários, mas a economia em geral. Qualquer um com uma mínima experiência no movimento operário sabe que aumentar o salário – isso sem contar a situação cada vez mais desfavorável para esse tipo de luta – significa apenas que o trabalhador não vai morrer de fome por um breve período de tempo, até que a inflação e as condições econômicas gerais reduza o aumento a nada.

É preciso lutar pelo poder político. É preciso quebrar o programa golpista de conjunto. Isso significa que a única maneira de sair do impasse que está colocado o movimento contra o golpe atualmente é organizando a luta contra todos os golpistas, seu programa e contra a prisão de Lula. A luta pelo poder político do momento é a luta contra o golpe.

Enquanto a esquerda pequeno-burguesa fica com considerações abstratas sobre cada uma das medidas do governo golpista, os próprios golpistas sabem que o problema central é a luta política. Por isso as medidas dos golpistas não param em ataques econômicos. Os sindicatos estão sob ameaça, as organizações populares estão sob ameaça, os partidos de esquerda estão ameaçados.

O regime de exceção que caminha para uma ditadura aberta no Judiciário é a preparação para ataques contra todas as organizações. A ameaça de prisão de Lula é parte dessa ofensiva política e que abrirá caminho para uma perseguição generalizada.

Os golpistas sabem que a devastação econômica contra o povo vai gerar uma reação dos trabalhadores. Por isso, o golpe precisa destruir os instrumentos de luta por onde essa reação vai passar, que são os sindicatos em primeiro lugar. Por isso, é preciso ir aos trabalhadores e mobilizar contra o golpe, enfrentar a ofensiva golpista e defender as organizações populares.

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