Neoliberalismo: fantasia e realidade

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nataliaNatália Pimenta

O golpe contra Dilma Rousseff e o PT foi preparado por uma extensa campanha ideológica. Os defensores do golpe se dizem “liberais”, defensores do “livre mercado”. Gastaram nos últimos anos milhões de dólares, comprando pessoas para fazer propaganda de suas ideias, organizando grupos como o MBL, institutos como o Millenium e o Mises etc.

Os propagandistas do “livre mercado” arrumam todo tipo de argumentos para justificar que privatizar é bom, que o Estado deve ser diminuído, que liberdade econômica é igual a liberdade em geral e, o mais espantoso de tudo, que a associação do Brasil com os Estados Unidos e as grandes potências europeias seria benéfica para o Brasil. Desse modo, a esquerda seria sinônimo de ditadura, já que seria contra o “livre mercado”.

Que tudo isso é uma fantasia pode ser resumido em uma única explicação: o livre mercado é uma ficção, simplesmente não existe mais em lugar nenhum do mundo. O que existe atualmente, e já há muito tempo, é o domínio dos monopólios, do imperialismo, que por si é uma negação do livre mercado. O mercado não é livre, é dominado por meia dúzia de empresas em cada ramo de atividade e pelos Estados imperialistas, que impõem suas mercadorias e suas empresas por meio de seus exércitos.

Defender uma aproximação do Brasil com os Estados Unidos equivale a defender que esse país domine todo o mercado brasileiro, acabando com a indústria nacional, sufocando o desenvolvimento do país e arrancando tudo que puderem daqui.

Por isso essa política é chamada de “neoliberal”. A defesa do liberalismo na época imperialista significa na prática a defesa de que o dinheiro público vá apenas para os grandes capitalistas, e a população fique na mais completa miséria.

Isso não é nenhuma novidade. E também não era o tema dessa coluna.

A questão central é que toda essa enxurrada de propaganda, cujo centro coordenador é o Departamento de Estado norte-americano, pode convencer algumas (ou muitas) pessoas ignorantes e inconscientes de seus próprios interesses. Pode inclusive deixar boa parte da população atordoada, mas a realidade é mais poderosa do que qualquer propaganda.

Todo esse esforço de convencimento foi necessário, em primeiro lugar, devido à total rejeição da população à política neoliberal implantada de forma consistente no Brasil pela primeira vez por FHC. A privatização dos serviços de telefonia e energia, por exemplo, pintada como uma necessidade, diante da “ineficiência” do serviço público, gerou muito debate, mas não resistiu à realidade: hoje o brasileiro vive para pagar contas. A Telefónica, cuja principal aquisição no Brasil foi a Telesp, ficou tão mal vista pela população que foi obrigada a mudar de nome para se reciclar.

O pacote neoliberal dos golpistas agora é ainda mais extenso do que o que FHC colocou em prática. A Petrobras e o pré-sal são os mais cobiçados pelo imperialismo, ajudado também pela balela golpista de que “o PT quebrou a Petrobras”. Além de entregar as empresas que sobraram, querem congelar os salários e congelar todos os gastos públicos, que resultará inevitavelmente na privatização da saúde e da educação. O pacote também prevê o fim da CLT e um ataque em regra aos sindicatos e a toda forma de organização política da população.

Por mais que a ideologia do “livre mercado” tenha suas explicações para tais medidas, a realidade cedo ou tarde vai se impor: devastação econômica e aumento exponencial da miséria no País.
Se o ataque que estão preparando às condições de vida da população é hoje ainda mais duro do que o desferido por FHC, podemos esperar que a reação a esse ataque por parte das massas trabalhadoras também o seja.

Não há teoria que convença a população a ser perpetuamente escrava dos grandes monopólios capitalistas.

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