O modelo funciona… para a direita

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Por uma arte que lute contra o golpe 1

colunistas-henriqueHenrique Áreas de Araujo

O Estado de S. Paulo publicou um editorial, no último domingo, dia 9, defendendo o fim do financiamento de empresas na campanha eleitoral. “O modelo funciona”, afirma o Estadão, uma semana depois que seus candidatos da direita golpista conquistaram uma vitória eleitoral.

É como se um time de futebol fosse o dono da bola, definisse todas as regras do jogo, tivesse o juiz e os bandeirinhas do seu lado e depois de ganhar de goleada falasse para todos que as regras que ele definiu funcionam.

A proibição do financiamento de empresas foi uma armadilha plantada pela direita contra os partidos da esquerda burguesa, e a esquerda, como sempre, contribuiu para sua própria armadilha.

A esquerda imita a burguesia na farra eleitoral, mas procura se apresentar como “ética”, o que também, do ponto de vista ideológico, é uma armadilha inventada pela direita. A direita, por sua vez, enquanto convence os esquerdistas, vai dominando todo o processo político. A defesa do fim do financiamento de campanha é parte do cinismo típico da burguesia.

O Estadão se diz “contra o financiamento empresarial” porque isso “macula” a eleição. Mas seria o Estadão uma dos maiores empreendimentos capitalistas do ramo da comunicação ou uma Igreja pura, imaculada e ética? O Estadão, que faz parte de um dos mais poderosos monopólios, o da imprensa capitalista, apoia seus candidatos que são os partidos da direita que venceram as eleições, o que provou que “o modelo funciona”.

O que o jornal golpista esquece de dizer é que essa proibição não impediu que os partidos tradicionais da burguesia realizasse jantares de 7 mil reais para receber dinheiro de empresários. Também esconde que seu candidato em São Paulo, o tucano João Dória, é um empresário. Já foi feito o levantamento pela própria imprensa golpista que essas eleições foram as que mais elegeram milionários.

Se não houve financiamento empresarial não podemos saber – e nós, que não somos ingênuos, temos certeza que houve -, mas que essa nova regra serviu para distanciar ainda mais o povo da vida política do País, isso é mais do que certo.

É preciso destacar que essa proibição e as regras exageradas, com a desculpa de impedir o financiamento de empresas, na realidade só serviu para dificultar a campanha dos partidos pequenos e de esquerda que em geral não contam com o apoio da burguesia.

No final das contas, o “modelo” defendido pelo Estadão é apenas mais uma forma do tribunal intervir na eleição. É parte da legislação eleitoral hiper-restritiva que praticamente extinguiu a campanha eleitoral e o debate político, como já denunciamos em várias ocasiões.

E aí, como tudo está proibido, vejam só quem vai dominar a eleição: o Estadão e todo o monopólio da imprensa golpista. Realmente, o modelo funciona… para a direita golpista.

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