PSTU: quem é quinta coluna de quem?

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Rui Costa Pimenta

Em uma entrevista recente, uma candidata do PSTU, perguntada sobre as semelhanças do seu partido com o PCO, disparou “o PCO é a quinta coluna do PT”.

Os militantes do PSTU, está claro, ignoram que a expressão “quinta coluna” foi utilizada pelos stalinistas contra supostos trotskistas espanhóis durante a Guerra Civil dos anos de 1930. Os trotskistas seriam a “quinta coluna do fascismo” dentro do campo republicano.

A péssima lembrança, no entanto, não é casual.

Concluímos, pela expressão utilizada, que o PSTU considera o PT não como parte do movimento operário e da esquerda, mas como um inimigo mortal. A quinta coluna é o agente infiltrado do inimigo mortal. Seria uma denominação adequada, se fosse adequada, aos agentes da direita imperialista e do fascismo.

Ninguém pode ser quinta coluna do PT porque o PT não está infiltrado na esquerda e no movimento operário, mas dirige as mais importantes organizações operárias e populares do País.

Por outro lado, a política do PCO contra o golpe da direita, contra os processos-farsa dos Sérgio Moro e afins, contra a perseguição a Lula e outros dirigentes do PT nada têm a ver com nenhuma relação especial com o PT. O PCO teve a mesma política contra o golpe no Egito contra Maomé Morsi, na Venezuela contra Chavez e Maduro, no Equador contra Rafael Correia e mais recentemente na Turquia contra o governo de Erdogan.

A acusação contra o PCO é cristalinamente uma calúnia, de típica cepa stalinista, até mesmo na forma, contra o PCO.

Se a política do PCO não dá margem a nenhuma dúvida, o mesmo, no entanto, não acontece com a política do PSTU, que assumiu a defesa do imperialismo e do fascismo em todos esses mesmos acontecimentos: apoiaram o golpe no Egito, pedem a derrubada de Maduro, alinharam-se com os nazistas ucranianos e apoiaram e apoiam o golpe da direita no Brasil.

Mais recentemente, reivindicaram da direita no judiciário que prendessem Lula. Alinharam-se uma vez mais com o Estado capitalista e o imperialismo num terreno particularmente decisivo: o da repressão judicial e policial.

A luta contra os golpes de Estado e a defesa das suas vítimas, sejam quais forem, – qualquer pessoa sabe – é uma política comum à maior parte da esquerda mundial e histórica. Apoiar a direita golpista e pedir a ela a prisão de líderes da esquerda reformista, não. É uma política que volta a acusação do PSTU contra ele mesmo: será que os que estão ao lado da direita, do imperialismo e do fascismo em tantos acontecimentos não deveriam explicar porque não são a “quinta coluna” da direita, do imperialismo e do fascismo? Já passamos da hora do PSTU explicar suas relações políticas com a direita internacional.

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