Chacina em Carapicuíba: o que importa é a convicção

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Juliano Lopes

A ação regular da Polícia Militar não se baseia em prova alguma, mas somente em suspeitas, denúncias vagas, em preconceito racial etc.. A PM é a primeira a agir com base em convicção, não em provas, muito antes do Ministério Público Federal (MPF) que acusou Lula sem provas ter tornado famosa a expressão, “não temos provas, mas temos convicção”.

Neste mês se completa um ano da chacina de Carapicuíba, São Paulo, em que quatro rapazes foram executados em 19 de setembro de 2015 e, até o momento, não existe ninguém preso. Mas existe uma única suspeita: a Polícia Militar.

Alguns policiais chegaram a ser presos, sob a acusação de participar nessa chacina, que foi bastante parecida com o a ocorrida em Osasco, mas, finalmente, foram liberados em seguida por falta de provas.

Já para os mortos e executados, valeu a tese defendida pelo Ministério Público Federal, ao recentemente tentar incriminar o ex-presidente Lula, ou seja, o que valeu foi a convicção de que os executados eram bandidos, independentemente das provas. Nesse sentido, pelo número de assassinatos cometidos pela polícia, dá para dizer que os PMs são bem “convictos”.

Os mortos na chacina de Osasco/Barueri, que somam 23 pessoas, também foram alvo da mesma política. Todos foram executados pela Polícia militar, que estava em seu formato “esquadrão da morte”, e que por sua vez trabalha com a convicção de que negros e pobres devem ser executados.

Nesses casos não existe uma acusação sem provas. A Polícia Militar é, ela mesma, Ministério Público, Poder Judiciários e juiz de execução ao mesmo tempo. De quebra, inaugura a pena de morte, ainda que tal pena não exista no Brasil.

Pois que a convicção da PM levou à morte de mais de três mil jovens, negros e trabalhadores, só em 2015. Com o golpe de Estado, aumentou ainda mais a convicção da PM de que negro e pobre precisa ser executado, morto, entregues aos urubus.

Tanto em Osasco quanto e Carapicuíba, o método de ação da Polícia Militar foi o mais covarde possível. Aliás, a covardia típica dos golpistas, dos fascistas. Estavam com máscaras para impedir a identificação; chegaram em carros ou motos, em determinados locais; a maioria morreu com tiros pelas costas.

Aqui vale, uma vez mais, o que o Ministério Público Federal aplicou no caso de Lula, Dirceu e outros. O que deve imperar é a convicção de quem aplica a lei. Não é preciso das provas de algum crime, basta a convicção de quem tem o poder de tirar a vida de outra pessoa, se possível da forma mais brutal.

Muito embora tenha ficado ridícula a atuação do MPF, e do juiz de exceção Sérgio Moro, é preciso denunciar que a autora da teoria da “convicção sem provas” é a Polícia Militar do país inteiro. Para ela, para as forças de repressão, contra o negro, contra o trabalhador, basta a convicção, não é preciso provas para lhe tirar a vida. Ao acusar o ex-presidente Lula sem nenhuma prova, o MPF e o Juiz Sérgio Moro estão respaldando a atuação arbitrária contra todo o povo. O sentido dos ataques contra o PT é legitimar as ações ilegais que já são cometidas contra todo o povo.

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