A lógica golpista do PSTU festejada pela imprensa golpista

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a.eduardoAntônio Eduardo Alves Oliveira

Na sua página oficial no Facebook, o PSTU Nacional divulgou uma matéria publicada pelo Jornal O Globo. Esse fato inusitado tem sua razão de ser, ou melhor, tem a sua própria lógica. Para o PSTU, um partido da “esquerda radical” que defendeu com entusiasmo o “Fora Dilma”, somente a imprensa burguesa conseguiu entender com fidelidade a alma do partido.

Por outro lado, o PSTU se ressente que a esquerda não compreendeu nada das engenhosas táticas e estratégias do partido, a defesa da derrubada do governo Dilma, (pois o “os trabalhadores romperam com o PT” e que PT é igual à direita, que o governo fez o ajuste fiscal etc etc etc). O PSTU se apresentou contra o impeachment, mas comemorou a queda de Dilma (“já vai tarde”) e mais recentemente exige a prisão de Lula, para “Não ser cúmplice de corrupto e traidor”.
Bem, para o PSTU nada disso permitiria que algum ex-governista (PT, PCdoB), algum colega da esquerda pequeno-burguesa (Psol e mesmo do seu racha MAIS) e mesmo qualquer mortal pudesse identificar o partido como golpista.

Apesar de não defender que Dilma voltasse, ou seja, que o impeachment fosse consumado, e fazer aliança com a direita reacionária para a derrubada do governo do PT, para os golpistas do PSTU isso ainda assim não faria do PSTU um partido golpista.

Antes que o Leitor comece a ficar tonto com esse contorcionismo do PSTU, vamos fazer um esforço para entender mais essa milonga morenista. Qual a lógica dessa negativa do PSTU em aceitar o título de golpista? Simples, a mesma lógica negacionista da imprensa golpista e do governo Temer.

Não existe golpe, pois tudo foi feito de acordo com as manobras legais contra um governo “impopular”. Neste sentido, tanto para o PSTU quanto para a direita, o impeachment foi a aceitação de clamor popular e o principal responsável pela queda do governo do PT foi, na visão golpista, o próprio PT.

Página do PSTU comemorando a propaganda da Globo.
Página do PSTU comemorando a propaganda da Globo.

Assim, segundo essa lógica golpista, como o impeachment faz parte das manobras dentro do jogo da “democracia burguesa”, não é portanto um golpe de Estado. Dessa forma, como não existe golpe (apenas uma narrativa dos ex-governistas) não existe golpistas de direita muito menos de esquerda.

Por isso que a imprensa burguesa consegue decifrar a alma ou melhor lógica negadora do golpe do PSTU, uma vez que existe um acordo de princípios sobre o significado do impeachment, sobre a prisão de Lula e todas as questões relevantes na conjuntura entre a imprensa capitalista e os “revolucionários” do PSTU.

Mas por que a burguesia entende o PSTU e a maioria da esquerda não?

Na visão do PSTU existe um problema de lógica, que obstaculiza a maioria da esquerda em interpretar corretamente a política do partido, falta à maioria da esquerda certamente a clarividência intelectual dos jornalistas burgueses da imprensa golpista. Os petistas e a maioria da esquerda têm uma visão errada da política do PSTU, pois se limitam a usar a tão somente a “lógica formal”.

O jornalista golpista Ancelmo Gois, uma pena alugada pela direita reacionária, conseguiu captar a mensagem do partido de Zé Maria e Eduardo Almeida. Seguramente, os articulistas burgueses têm calibre intelectual de outra natureza, certamente não usam nas suas valiosas análises a lógica formal, especialmente quando abordam a política do PSTU.

Certamente que a imprensa burguesa não utiliza na sua pregação cotidiana para negar o golpe de Estado a lógica dialética e muito menos a noção de Luta de classes do marxismo.

Mas se não é lógica formal nem a lógica dialética qual é a lógica usada pela imprensa burguesa para interpretar de uma maneira tão fidedigna as posições do PSTU?

Elementar meu caro Watson, a lógica usual não somente do O Globo, mas da Veja, O Estado de S. Paulo, Correio da Bahia, Isto É, Folha de S. Paulo, ou seja do PIG, é a lógica venal da mentira e enganação própria da imprensa capitalista denunciada por Marx, Gramsci e todos os revolucionários.

Dessa forma, a burguesia não somente soube interpretar corretamente as posições políticas do PSTU, como faz uso delas para justificar o golpe de Estado. É essa a lógica real da imprensa burguesa, usar de todos, inclusive dos “trotskistas” do PSTU para atacar os trabalhadores e justificar o golpe.

A lógica morenista da defender a derrubada de Dilma (quando somente a direita pode chegar ao poder, como efetivamente aconteceu) e que o impeachment não é golpe, e que portanto não existe golpe nem golpistas, é no fundo a mesma lógica da direita, traduzida em linguagem de esquerda tida até mesmo como “trotskista”.

Os “Trotskistas brasileiros” do PSTU são um instrumento da direita golpista. Usam inclusive os mesmos argumentos compartilhados com a direita. Chegando ao disparate, como declarou o principal dirigente do PSTU/LIT Eduardo Almeida de defender a Lava Jato, exigindo Lula na cadeia.

Neste sentido, é importante salientar como disse o poeta, o Brasil realmente não é para principiantes. Em oposição à lógica formal, surgiu na confluência entre o PIG e o PSTU, a lógica morenista-udenista.

A matéria do O Globo tem uma lógica bem clara, e não precisa ser um filósofo perito em lógica para se dar conta do seu real significado.

O usurpador Temer e os conspiradores golpistas querem a todo o custo negar que deram um golpe de Estado e buscam de todas as maneiras escamotear que o impeachment foi uma farsa grotesca e procuram criar uma fachada de legalidade, uma vez que não tem legitimidade popular, como as massivas manifestações pelo Fora Temer estão demonstrando.

Os movimentos populares, os partidos de esquerda e os verdadeiros militantes trotskistas que não são apoiados pela imprensa golpista devem repudiar a política golpista totalmente anti trotskista do PSTU e seus aliados.

A política de negação do golpe e de apoio à queda de Dilma e à prisão de Lula não tem nada a ver com o marxismo e muito menos com trotskismo. Uso dos pretensos “trotskistas brasileiros” ou melhor dos morenistas udenistas não é nada mais nada menos do que uma estratagema golpista para negar o golpe e atacar os movimentos populares por dentro.

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