Festival de Cinema (“Fora Temer”) de Gramado

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joaoJoão Silva

Encerrou-se no sábado dia 3, o 44o Festival de Cinema de Gramado, ou poderia se chamar de Festival de Cinema “Fora Temer”. Nos 15 dias do festival da Serra Gaúcha, dia sim e dia sim foi possível ouvir manifestações diárias contra o golpe e o governo golpista de Michel Temer.

Foram protestos diários de cineastas e cinéfilos contra o golpe desde a abertura de Gramado até o seu encerramento com a entrega dos prêmios. O Festival iniciou-se no mesmo dia do começo do julgamento de Dilma Rousseff no Senado Federal, 25 de agosto. A coincidência foi um “prato cheio” para os participantes do festival que aproveitaram todos os momentos para protestar contra o golpe.

Os protestos aconteceram mesmo antes do início oficial do festival com a apresentação de curtas-metragens produzidos por estudantes de Gramado. Já na cerimônia de abertura do festival, no dia 26, o ministro golpista da Cultura, Marcelo Calero, recebeu uma chuva de vaias da plateia.

Ainda no mesmo dia foi a exibição do filme brasileiro “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, que carrega desde sua exibição em Cannes a bandeira contra o golpe depois que ele, atores e equipe se manifestaram no tapete vermelho na estreia do filme no festival francês com cartazes denunciando o golpismo no Brasil. Momentos antes da projeção de “Aquarius” a plateia se manifestou com gritos de “golpista” e “Fora Temer”. A atriz Sônia Braga em entrevista após a exibição declarou “Nunca é suficiente repetir que é golpe”.

Nos dias posteriores as manifestações contra o golpe se seguiram, desde vaias a simples aparição do logo do Ministério da Cultura durante as exibições até com artistas que durante o festival quando tinham a palavra se manifestavam abertamente contra o governo golpista.

Em uma das premiações concedidas ainda durante o festival, o Prêmio Assembleia Legislativa que premia curtas-metragens gaúchos, foi quase uma passeata com membros das equipes premiadas subindo ao palco com cartazes dizendo: “Quero Democracia” e “O Brasil não é dos golpistas”.

Para fechar com chave de ouro, o encerramento com as principais premiações também foi alvo de protestos entre os premiados.

Os principais prêmios foram concedidos para o filme brasileiro “Barata Ribeiro, 716” que ganhou melhor filme e diretor, Domingos Oliveira. Melhor curta-metragem brasileiro foi para “Rosinha” e melhor longa-metragem estrangeiro foi para “Guaraní”.

Os protestos contra o golpe se iniciaram com premiado a melhor ator, Paulo Tiefenthaler, por “O roubo da taça”. O ator não perdeu a oportunidade durante os agradecimentos e soltou um sonoro: “Fora, Temer! Vamos tirar esse cupim da nossa casa!”.

A melhor atriz, Andréia Horta, pelo filme “Elis” foi mais discreta dizendo: “É tempo de luta, vamos juntos”.

No prêmio de melhor curta-metragem brasileiro, o diretor Gui Campos ainda atribuiu a boa qualidade e quantidade de filmes nacionais nos últimos anos a políticas públicas dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A maioria do público presente aplaudiu, mas foi possível ouvir poucas vaias de alguns “coxinhas” que estavam na plateia.

No último prêmio de curtas, Gui Campos subiu ao palco com equipe e outros realizadores com cartazes dizendo “Resistir Sempre”, “É Golpe” entre outros. Foi feia a leitura de um manifesto contra o golpe que dizia: “Nós aqui presentes nos pronunciamos contra o golpe e a favor da democracia brasileira”. Ao final puxaram um coro de “Fora Temer” que ecoou em toda plateia no Palácio dos Festivais.

Assista aqui o protesto contra o Golpe que encerrou o Festival de Gramado

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