Ministro golpista quer voltar ao século 19 e impor jornada de 12 horas de trabalho

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Perci Marrara

Quem disse que já estava tão ruim que não poderia piorar? Sob a falácia de que a alternativa para o desemprego é a reforma trabalhista o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, disse que o governo golpista pretende ampliar a jornada de trabalho diária das atuais oito horas, para 12 horas.

Os golpistas estão tão ávidos em aplicar seu programa neoliberal que não se controlam nem mesmo diante das câmeras e microfones da imprensa. Com isso estão revelando seus planos malignos para os trabalhadores sem qualquer temor.

Isso está sendo encarado pelo governo como uma falha, ao ponto de que estão estudando realizar um cursinho com os ministros para ensiná-los a tratar com a imprensa, principalmente no momento de apresentar os projetos do governo. Pretendem estudar como enganar o povo.

A notícia do aumento da jornada de trabalho gerou reação imediata, pois de uma vez foi capaz de demonstrar do que os golpistas são capazes. O que os anúncios da reforma da Previdência (por exemplo) não tinham sido capazes de revelar.

Na internet os grupos golpistas de coxinhas e playboys que nunca trabalharam saíram defendendo a reforma trabalhista como se fosse algo positivo, como se fosse bom para a população abrir mão de direitos conquistados a duras penas, através de lutas intensas que produziram mártires, como a questão da jornada de trabalho. Essa defesa aumentou a desconfiança para com esses grupos, que já perderam, e muito, a adesão popular.

Desde o final do século 19 que este tema motiva mobilização, pois se depender dos patrões e dos seus governos de plantão não haveria limite para a exploração dos trabalhadores que trabalhariam até a exaustão, até a morte, sendo descartados e substituídos pela massa desempregada na medida em que adoecerem ou já não forem capazes de produzir a contento. Sempre pagando o mínimo possível, apenas e tão somente o suficiente para a sobrevivência, e olhe lá.

Nesse momento falam em aumentar a jornada para 12 horas, em modernizar a legislação, mudar as formas de contrato de trabalho para que sejam estabelecidos com base na produtividade e hora trabalhada, e ainda mudar o modo como estão organizados os sindicato, defendendo uma intervenção direta na organização dos trabalhadores.

É preciso ter claro que essa proposta de aumentar a jornada de trabalho para 12 horas diárias, é apenas o começo. O objetivo mesmo é fazer como disseram os representantes da Confederação das Indústrias de da Fiesp. O primeiro disse que o ideal seria uma jornada de 80 horas semanais, ou seja, praticamente dobrar a jornada atual; o segundo disse que deve-se fazer no Brasil o que fazem nos EUA que é o operário operar a máquina com uma mão e comer seu sanduíche de almoço ao mesmo tempo, com a outra mão, tendo no máximo 15 minutos de intervalo.

A saída para o desemprego é o extremo oposto da proposta da burguesia, dos golpistas, é a redução da jornada de trabalho, claro, sem redução de salários. Como diz o lema do PCO; a saída é trabalhar menos para que todos trabalhem. Essa é a verdadeira pauta do movimento que deve se desenvolver para resistir aos ataques do governo golpista.

A luta contra o golpe de Estado começa a ganhar contornos de um movimento de resistência aos ataques da burguesia, do imperialismo. Daí que não se trata de levantar a palavra de ordem de eleições diretas. Pois não é simplesmente um plano de governo, mas o plano do imperialismo para o país.

Como já dissemos e é preciso ter claro: não há limites para a exploração que a burguesia está disposta a impor aos trabalhadores, particularmente nesse momento de crise capitalista, em que estão desesperados para recuperar seus lucros e perdas.

Dar à luta contra o golpe o caráter de resistência com um programa que traga as reivindicações dos trabalhadores contra os planos dos golpistas, como a defesa da redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, o não à reforma trabalhista e da Previdência e todas medidas dos golpistas contra os trabalhadores é a tarefa do momento para o movimento de luta contra o golpe que deve se ampliar e ganhar caráter luta das  massas populares contra a burguesia.

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