Burquíni, secularismo ou perseguição religiosa?

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Perci Marrara

A pretexto da defesa do “secularismo da sociedade francesa” e dos diretos e interesses das mulheres, sete prefeituras da França decidiram proibir o chamado burquíni em praias e piscinas. A proibição do traje de banho muçulmano para mulheres que substitui o biquíni serviria para aliviar as “tensões inter-religiosas” que aumentaram no país no último período, particularmente após os atentados em Paris e Nice reivindicados pelo Estado Islâmico (Isis).

Prefeitos que vão do Partido Republicano ao Partido Socialista em Cannes, Mandelieu-la-Napoule, Villeneuve-Loubet, Sisco, Le Touquet, Leucate e Oye-Plagedizem dizem que é preciso impedir o avanço do extremismo religioso. O primeiro-ministro Manuel Valls apoiou a decisão a fim de “evitar alterar a ordem pública”. Segundo ele, o burquíni é “a tradução de um projeto político fundado na opressão da mulher”. “Diante dessas provocações, a República deve se defender”, enfatizou o premiê, que é do Partido Socialista Francês.

Na França já está em vigor uma lei nacional que proíbe a burca e o véu islâmico em qualquer espaço público – peça que cobre integralmente o corpo, incluindo o rosto.

Em entrevista ao jornal local La Provence, o premiê disse que o uso do burquíni “não é compatível com os valores da França”. O mesmo Valls votou a favor da proibição da burca e do niqab, em 2010, durante o governo do ex-presidente de direita Nicolas Sarkozy, que estabelece multa de até 150 euros. Com a nova lei das cidades litorâneas pelo menos três mulheres já foram multadas em 38 euros.

Essa não é uma iniciativa que tem qualquer relação com a separação da religião, com neutralidade religiosa ou com a luta pelo fim da opressão da mulher. É, na verdade, mais um instrumento da perseguição contra os muçulmanos.

É mais um caso de utilização da luta das mulheres para manipulação a fim de realizar uma política repressiva e de controle por parte do Estado, que, nesse caso, tem como alvo uma população específica, que foi transformada em suspeita e criminosa por sua religião.

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