O Psol defende a si mesmo, não o povo

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colunistas-rafaelRafael Dantas

A revista Época noticiou uma semana atrás que o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) procurou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que fosse julgada uma ação que contesta a regra sobre os debates eleitorais.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) foi proposta pelo Psol e pela Rede, de Marina Silva, contra a regra que impede que partidos com menos de dez deputados no Congresso Nacional participem dos debates eleitorais. A ministra Rosa Weber é a relatora da Ação e teria, segundo a reportagem, se comprometido a colocá-la em pauta nas próximas semanas.

Ainda segundo a revista, os deputados do Psol já conversaram com cinco dos 11 ministros do STF, e pretendem falar com todos, na tentativa de impedir que candidatos como Luiza Erundina (em São Paulo), Marcelo Freixo (no Rio) e Luciana Genro (Porto Alegre) fiquem de fora dos debates e percam tempo de exposição no horário eleitoral gratuito.

Como se vê, o esforço tem um objetivo claro: garantir o direito do Psol, que está totalmente adaptado à legislação antidemocrática que rege o processo eleitoral. Isto é, ao invés de lutar contra o regime político de conjunto, que é  uma verdadeira ditadura da burguesia e do imperialismo contra toda a população pobre e trabalhadora, o Psol luta para garantir o seu lugar ao Sol, por “condições mais favoráveis” para fazer o mesmo que os partidos burgueses.

Não será elegendo um prefeito ou um vereador que os problemas da população serão resolvidos, como quer dar entender o Psol, que repete nisso a política de colaboração de classes do PT. Com um agravante: como já denunciamos no passado, o Psol já nasceu como um partido pequeno-burguês, controlado por políticos profissionais (parlamentares), sem ligação com a classe operária, os sindicatos e movimentos populares e com um programa puramente demagógico.

Seu esforço para fazer um lobby parlamentar junto ao STF reforça esse aspecto: para o Psol, a grande “luta” é brigar por segundos a mais no horário eleitoral e para conseguir uma brecha para seus candidatos aparecerem nos debates nas emissoras golpistas. É o que realmente importa para um partido cuja existência depende da manutenção de seus parlamentares em seus cargos.

O Psol defende o seu direito, como partido burguês, de participar da “festa da democracia”. E o povo? Ora, o povo… O povo tem o direito de votar.

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