Justiça não só inocenta polícia como esconde o crime

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23 mortos e nenhum culpado

Neste domingo (14) completou-se um ano que a Polícia Militar de São Paulo protagonizou uma das maiores chacinas já registradas no estado, resultando na morte de 23 pessoas que foram covardemente executadas.

Conhecida como Chacina de Osasco, na noite de uma quinta-feira, em Osasco e Barueri, pelo menos 23 pessoas foram alvos de disparos. O modo das execuções foi o mesmo em todos os locais: homens encapuzados chegaram, de carro ou moto, em algum bar. Mandavam as pessoas encostarem na parede e atiravam pelas costas.

A polícia tentou esconder sua participação na chacina, alegando que os crimes foram resultado de conflitos entre traficantes. Posteriormente ficou provada a participação de policiais nos assassinatos.

Porém, até o momento não existe nenhum policial julgado e condenado pela chacina. Pelo contrário, no processo que investiga as mortes, foram retiradas pelo menos seis mortes da Chacina, sendo alegado que foram resultado de outros crimes, que não teriam a ver com a ação da polícia.

O judiciário não vai levar adiante um processo contra os policiais envolvidos por uma única razão: juízes e funcionários do judiciário também fazem parte do esquema montado pelo esquadrão da morte. Não foi uma junção acidental de alguns policiais, mas a ação de um grupo organizado para matar negros e pobres.
“Os criminosos se organizaram e planejaram todos os ataques. Durante as ações, eles não se preocuparam se pessoas inocentes seriam atingidas e mortas. Simplesmente saíram às ruas para vingar as mortes dos colegas e mostrar repúdio a supostos criminosos. Uma ação típica de um grupo, de um esquadrão, de uma milícia organizada”, afirma Marcelo Alexandre de Oliveira, promotor do caso.

Esquadrões da morte estão espalhados pelo estado de São Paulo. É de conhecimento de toda população de que existem grupos de policiais que atuam fora do expediente, promovendo a limpeza social e racial.

O avanço do golpe de estado instigou ainda mais esses grupos, que agora estão atuando com carta branca para matar.

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