Trabalhismo britânico: a chantagem da direita

Compartilhar:

A direita do Partido Trabalhista britânico está ameaçando rachar com o partido para pressionar os filiados a não votarem novamente em Jeremy Corbyn nas eleições internas. Corbyn disputa a liderança do partido com Owen Smith. A direita acusa Corbyn de tornar o partido intolerável para parlamentares da ala direitista do partido, como se o secretário-geral do partido e seus apoiadores fossem culpados por uma eventual divisão do partido. É o que defende, por exemplo, a deputada trabalhista Jess Phillips em um artigo assinado por ela e publicado no jornal Financial Times, tradicional veículo de imprensa da direita.

A deputada escolheu um jornal da direita para dizer que teme que “se Corbyn for eleito, nos tornaremos um partido onde gente como eu não será bem-vinda”. Phillips não aceita as críticas contra parlamentares da ala direitista do partido pelo movimento que vem apoiando Corbyn. “Fãs de Corbyn farão o que puderem para não eleger bons parlamentares que não sejam considerados por eles submissos o suficiente”. Assim, a deputada encontrou um jeito de ameaçar um racha responsabilizando a reação contra direita dentro do partido. E arrisca um prognóstico (no título da matéria): “Sob Jeremy Corbyn, o trabalhismo não vai se dividir apenas, vai morrer”.

Trata-se de mais uma manobra para tentar evitar a provável vitória de Jeremy Corbyn, que representa dentro do partido uma reação a décadas de política neoliberal no Reino Unido, uma política fracassada e que está destruindo os serviços públicos. Recentemente, a direção do partido tentou impedir filiados recentes de votarem, manobra que foi barrada na justiça e que excluiria mais de 100 mil pessoas do processo eleitoral. O cálculo era que a manobra tiraria votos de Corbyn. Com todos podendo votar, a direita do trabalhismo, que tomou o partido depois dos governos da conservadora Margaret Thatcher, está desesperada diante da iminência de perder o controle sobre o partido.

artigo Anterior

Luta contra o golpe não termina com votação no Senado

Próximo artigo

Dia 20: Rui C. Pimenta analisa raízes da atual crise do oriente médio

Leia mais

Deixe uma resposta