Comissão para cotas, novo ataque da direita

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Com o golpe de estado a todo vapor, a esquerda pequeno-burguesa, pressionada pelos direitistas, tende a assumir mais abertamente a defesa do golpe, mas com alguma cobertura esquerdista, como o chamado às eleições gerais.

A pressão da direita golpista e sua imprensa afeta basicamente todas as organizações da esquerda que são confusas em termos de programa e reivindicações. Não poderia ser diferente com o movimento negro.

Uma das medidas do governo golpista, editada pelo Ministério do Planejamento, as cotas raciais serão aplicadas na medida em que o candidato seja aprovado por uma comissão que irá dizer se ele é ou não é negro.

Esse absurdo já havia sido denunciado pelo próprio movimento negro, que afirmava que para que uma pessoa concorresse às vagas de cotas raciais bastava que ela se declarasse negra, o critério da autodeclaração.

Uma comissão para fazer isso, como o quer o ministério golpista, implica em nomear algumas pessoas iluminadas que, sabe-se lá por qual razão, ganhariam o direito de indicar quem é ou não é negro na sociedade.

Essa nomeação só pode ser feita pela reitoria e o corpo administrativo da universidade, e dos organizadores do concurso que são majoritariamente controlados pela direita. É criar uma comissão racial controlada pelo setor que historicamente se coloca contra as cotas raciais nas universidades.

Comentando essa comissão, em um artigo chamado “Cotas e Combate à Corrupção”, publicado na Folha de S. Paulo neste sábado, dia 07, Frei David Santos, especialista em ações afirmativas e integrante do movimento negro, e William Douglas (juiz federal) afirmam: “por nossa experiência de décadas lidando com o problema do racismo, aplaudimos a inovação e a referendamos como positiva”.

Em primeiro lugar, antes de entrar no mérito dos argumentos dos redatores, essa foi uma das primeiras oportunidades que foi registrado um elogio ao governo golpista vindo da esquerda. Governo golpista que está sob constante crítica da esquerda, que tem organizado manifestações contra o golpe e suas medidas.

Os redatores daquele texto afirmam, resumidamente, que essa comissão racial serviria para acabar com a corrupção no sistema de cotas, que, quando determinada pela autodeclaração, levava ao ingresso de “malandros” que se declaravam negros sem sê-lo.

A realidade dos fatos é que o governo golpista não está nem minimamente preocupado com os negros, se não em retirar seus direitos, e essa comissão serve para isso.

A autodeclaração deve ser mantida como critério para cotas raciais, pois as “malandragens” vindas desse sistema, se existirem, devem ser controladas pelo movimento negro organizado na universidade, não por comissões raciais criadas pelas reitorias.

Todo debate em torno do problema revela a selvageria da direita que não quer saber de negros nas universidades. Por outro lado, faz-se necessário lutar pelas cotas como de um programa mais amplo de luta, que inclui a luta contra o golpe de Estado, contra a privatização das universidades e o livre ingresso no ensino superior.

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