Erdogan dá nome aos bois

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Na última terça-feira (2), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, denunciou durante um evento em Ancara a cumplicidade de países imperialistas com os golpistas. “Aqueles que nós imaginávamos serem nossos amigos tomam o partido dos golpistas e terroristas”, afirmou Erdogan. E perguntou: “De que lado está o Ocidente: da democracia ou do golpe de Estado?” Depois da tentativa fracassada de golpe, a imprensa imperialista apressou-se em intensificar a campanha contra Erdogan, acusando-o de ser muito “duro” com os golpistas, depois que militares quase tomaram o poder em uma operação que deixou centenas de mortos.

O governo turco está pedindo que os EUA extraditem Fethullah Gülen, autoexilado nos EUA desde 1999 e acusado pela Turquia de estar por trás da tentativa de golpe do dia 15 de julho. Os EUA recusam, o que não é uma surpresa. Recentemente, revelou-se a participação de um general norte-americano, John F. Campbell, ligado à OTAN, no planejamento do golpe e na transferência de US$ 2 bilhões para a Turquia, para corromper militares.  A Alemanha também tomou ações contra a Turquia. Em um protesto no domingo que reuniu 40 mil turcos na cidade de Colônia, na Alemanha, em apoio a Erdogan, o presidente turco foi proibido de discursar para a multidão por videoconferência.

Erdogan está denunciando diretamente o imperialismo, devido às contradições entre seu governo, nacionalista burguês, e os interesses das potências estrangeiras. Como todo governo nacionalista burguês, Erdogan ainda tenta uma conciliação. A Turquia permanece na OTAN, e os EUA tinham usado a base de Incirlik para agir na Síria. O golpe fracassado, no entanto, colocou esse acordo em crise, enquanto o governo turco demonstra publicamente uma reaproximação com a Rússia.

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