Terrorismo e golpe de Estado

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Os golpistas estão buscando criar as condições para aplicar amplamente a famigerada lei antiterrorista que no final das contas pretende enquadrar organizações populares, de trabalhadores e estudantis, cassando direitos democráticos como os de expressão, manifestação e organização.

Nesta semana 10 pessoas suspeitas de terrorismo foram presas. São as primeiras vítimas da Lei 13.260/2016, conhecida como Lei Antiterror que entrou em vigor no Brasil em março deste ano. A Operação Hashtag da Polícia Federal investiga supostas ligações de brasileiros com o Estado Islâmico (EI).

De acordo com o que foi divulgado pela imprensa capitalista, as forças de segurança atuaram em 10 estados e “vinham monitorando cem pessoas que manifestavam simpatia ao Estado Islâmico no Brasil. Os dez presos compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças” que poderiam atuar durante as Olimpíadas.

Foram cumpridos 12 mandados de prisão, dois de condução coercitiva e 19 de busca e apreensão pelo juiz da 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva, em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janero, Paraíba, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Amazonas. “Os detidos participavam de um grupo virtual chamado Defensores da Sharia. Uma ONG que atua na área humanitária e educacional também está sob investigação”.

Antes já haviam deportado o físico franco-argelino Adlène Hicheur, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na sexta-feira (15 de julho). Com as prisões o governo se orgulha de ter “neutralizado” os dois “focos terroristas” que foram “rastreados”. 

Os suspeitos estão sendo investigados por “integrar o promover organização terrorista”, e terem saído da “apologia ao terrorismo” para “atos preparatórios tendentes à prática de terrorismo”.

O que exatamente significa tudo isso? O que seriam “atos preparatórios? Como se deram esses “rastreamento” e “monitoramento”? Que critérios foram utilizados? O que exatamente essas pessoas fizeram para serem consideradas terroristas? Onde pretendiam atacar? Como? Nenhuma dessas questões foram respondidas.

Para anunciar a prisão e a eliminação do “foco terrorista”, o fascista ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, deram entrevistas coletiva. A satisfação de ambos era imensa. Abriu-se a brecha para a repressão em larga escala no Rio de Janeiro e no resto do País durante as Olimpíadas e após o evento.

No entanto, eles mesmos menosprezaram os “terroristas”.  O ministro da Defesa, Raul Jungmann, classificou como “uma porralouquice” a ação do grupo. O fascista ex-secretário de segurança Pública de São Paulo chamou de “célula amadora”.

Ninguém realmente acredita que haja interesse em realizar atentados terroristas no Brasil por simpatizantes do Estado Islâmico. Os terroristas não são os muçulmanos, mas os trabalhadores e demais oprimidos; e as células terroristas são suas organizações. E tudo vai sendo feito de forma aparentemente legal, pois existe a lei antiterror e muitos outros precedentes legais que foram abertos com a Operação Lava Jato, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) etc.

Busca-se a eliminação da esquerda e de qualquer possibilidade de resistência. O PT já está sendo chamado de organização criminosa que deve deixar de existir. O PCdoB e o Psol podem ser enquadrados na cláusula de desempenho da reforma política proposta pelo PSDB; outros partidos como PCO, PCB e PSTU perderiam primeiro o fundo partidário, o tempo de rádio e TV e depois o registro por causa da cláusula de barreira, também da reforma política, ou qualquer outra lei ou decisão da justiça eleitoral. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e outras organizações de luta dos camponeses como a LCP (Liga dos Camponeses Pobres) por sua vez já foram chamados de organizações terroristas e por aí vai.

O temor da burguesia no Brasil não é do terrorismo islâmico, mas da polarização política que pode se intensificar a partir do combate ao golpe de Estado que o imperialismo promove no País.

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