Jandira Feghali e as ilusões que o PCdoB semeia

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Depois de anular o voto no segundo turno da eleição para presidente da Câmara dos Deputados quando seu partido (PCdoB) decidiu votar no candidato golpista que saiu vitorioso, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) deu entrevista coletiva afirmando ter a expectativa de que com a presidência de Maia sejam superados os procedimentos autoritários que marcaram a gestão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo ela a eleição provocou maior fragmentação da base do governo golpista. “O presidente eleito da Câmara dá mais estabilidade, mas a fragmentação na base do governo aumentou e é bom para nós. A esquerda pode ganhar posições com isso”, disse. Parecido foi o balanço feito pelo partido em editorial publicado no portal Vermelho. O que nenhum dos dois explica é o fato de o PCdoB ter sido central na eleição de Maia.

Orlando Silva (PCdoB-SP), junto com o golpista tucano Carlos Sampaio (PSDB-SP) teria escolhido o nome do deputado do DEM; e no primeiro turno o próprio Orlando Silva saiu candidato, inviabilizando outros candidatos, fosse ele do PT, o candidato que Lula articulou no PMDB, Marcelo Castro, ex-ministro de Dilma Rousseff que votou contra o impeachment. No segundo turno, sem disfarces, o PCdoB aderiu completamente aos golpistas votando em Maia e ainda dizendo que essa votação seria importante pois era uma derrota contra Cunha e o chamando “centrão”. Como se ter o DEM na presidência da Câmara representasse alguma vantagem, principalmente agora, quando esse partido é base fundamental e a ala mais direitista do golpe de Estado.

Ainda que a deputada tenha se mostrado uma das mais atuantes de seu partido na luta contra o golpe, a sua não votação expõe a política do PCdoB (que aliou-se ao PSDB-DEM). A provável candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, onde Rodrigo Maia também pode ser candidato, também pressionou Jadira a não votar em Maia.

O mesmo cálculo fez o Psol, que colocou Luiza Erundina para concorrer à presidência da Câmara. Ela também é candidata nas eleições municipais deste ano e concorrerá pelo Psol à prefeitura de São Paulo; isso também inviabilizou que a esquerda se unificasse em torno de seu nome, particularmente o PT, que tentará reeleger em São Paulo Fernando Haddad.

O que pode ser tirado de concreto de tudo isso é que há todo um setor da esquerda que está aderindo ao governo golpista ou simplesmente abandonando a luta contra o golpe de olho nas eleições etc. Esqueceram que as eleições serão também controladas pelos golpistas e, portanto, será feita, se for mesmo acontecer, em terreno muito desfavorável e repressor.

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